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Vencendo a preocupação e a ansiedade. Antonio Carlos Zogbi Perette, Maria Alice Fontes

A preocupação é uma cadeia de pensamentos repetitivos que se concentram na incerteza, em um resultado negativo ou ameaçador, onde a pessoa fica “ensaiando” formas de resolver problemas, mas não consegue diminuir essa sensação angustiante. Certa quantidade de preocupação é normal, porem muitas pessoas a apresentam em um nível elevado e incontrolável. A preocupação é um componente central dos transtornos de ansiedade e depressão, afetando muitas áreas da vida, desde o sono, alimentação, até sentimentos e comportamentos.

Qual a função da preocupação?

Grande parte das preocupações podem ser uma tentativa de evitar as próprias reações emocionais, pois o indivíduo fica pensando ao invés de sentir. Uma das crenças recorrentes de pessoas preocupadas é que: ao se preocuparem, estariam evitando que coisas piores aconteçam, que poderão se proteger do perigo e da incerteza. Enquanto se preocupa você “diminui” a sua ansiedade, pois acredita estar se protegendo do perigo, porem mais tarde a ansiedade se eleva novamente. As pessoas preocupadas tem uma necessidade muito grande de controle e dificuldade em aceitar riscos, porém viver sempre envolve algum risco e precisamos aceitar isto.

Quais são os principais pensamentos de pessoas preocupadas?

As pessoas que se preocupam excessivamente tem um foco muito forte na possibilidade de um resultado altamente negativo ou ameaçador. Muitas vezes são pessoas bastante perfeccionistas, que possuem crenças distorcidas sobre como controlar as suas preocupações. Essas pessoas praticam muito do pensamento “e se”, por exemplo: e se eu ficar doente, e se eu perder dinheiro, e se der tudo errado, e se quem eu amo me abandonar..

Como podemos lidar com a preocupação?

É muito importante distinguirmos as preocupações produtivas daquelas improdutivas: Produtivas são aquelas que nos ajudam a resolver problemas e que se pode fazer algo imediatamente ou muito em breve para isto. Já as preocupações improdutivas são aquelas que geram os pensamentos “e se” e que não conduzem a ações concretas para resolvê-las ou ainda aquelas preocupações com questões sem respostas. Por exemplo, se você vai viajar, é produtivo se preocupar se o carro está em boas condições, se há combustível o suficiente e conhecer o trajeto. Porém se você já checou e esta tudo em ordem, os pneus estão bons e calibrados não é produtivo pensar “e se o pneu estourar e o carro capotar” ou ainda: e se me assaltarem na estrada etc... Essas coisas seriam improdutivas, pois são muito difíceis de acontecer e não há nada que se possa fazer de concreto no momento para preveni-las.

Como a terapia Cognitiva Comportamental pode ajudar?

Nas ultimas décadas os estudos sobre a preocupação evoluíram muito e sendo a preocupação dependente diretamente do nosso modo de pensar, a Terapia Cognitivo Comportamental pode ser muito eficaz para tratarmos este transtorno. O primeiro passo é traçarmos um perfil de preocupação personalizado para cada paciente, depois é necessário compreender como a mente preocupada opera, então focamos nas crenças negativas relacionadas com a preocupação, nas falhas em resolução de problemas, esforços de controle mental etc. A partir daí cada pessoa terá um tratamento específico para aprender a controlar suas preocupações.

Quais são algumas técnicas da terapia Cognitiva para os transtornos ansiosos?

Na Terapia Cognitivo Comportamental o tratamento dos transtornos de ansiedade começa com a psicoeducação do modelo cognitivo e do transtorno específico (como pânico, ansiedade generalizada, fobias etc.), ou seja, o terapeuta explica ao paciente o funcionamento da terapia e características de seu transtorno. Então os pacientes aprendem a monitorar suas preocupações no dia a dia através de registros de auto monitoramento e classificá-las em: preocupações reais com ou sem soluções e preocupações “improdutivas”.

As técnicas de solução de problemas são aplicadas para problemas reais e com solução, já para as preocupações hipotéticas como ficar seriamente doente, perder o emprego etc. utiliza-se a técnica de exposição imaginária, onde o paciente aprende confrontar as situações temidas através de imagens dirigidas a situações e sentimentos evitados. A “exposição in vivo” é técnica muito eficaz principalmente em transtornos como pânico e fobias. Nela, com o auxílio do terapeuta, o paciente confronta seus gatilhos ansiosos reais (que desencadeiam estados ansiosos), como: situações, objetos, animais etc. e com isso consegue uma redução rápida e duradoura da ansiedade, já que para a superação dela é preciso enfrentar seus medos básicos.

A reestruturação cognitiva é muito importante também, nesta técnica, os pensamentos e as crenças disfuncionais do paciente são identificadas, em seguida discutidas e reavaliadas com a ajuda do terapeuta, transformando-as em crenças mais realistas e funcionais.

As técnicas de relaxamento também são bastante utilizadas, como o relaxamento muscular e controle através da respiração, afinal nos transtornos de ansiedade ocorre um processo de interação dos sistemas cognitivos, fisiológicos, afetivos e comportamentais, ou seja, mudanças em um sistema levam a mudanças nos outros sistemas. Todos estes métodos podem ser ensinados e praticados com o paciente nas sessões de terapia e devem ser utilizados também em sua vida diária a fim de se obter o beneficio máximo no controle da ansiedade.

Antonio Carlos Zogbi Perette é psicólogo na cidade de São João da Boa Vista, SP.

Referências:

Beck, A.T., Clark D. A. Vencendo a ansiedade e a preocupação. Porto Alegre: Artmed, 2012.
Leahy, R.L. Como lidar com as preocupações, sete passos para impedir que elas paralisem você. Porto Alegre. Artmed. 2007.
Rangé B. e col. Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2011.
Wright J.H., Basco M.R., Thase M.E. Aprendendo a Terapia Cognitivo-Comportamental, um guia ilustrado. Porto Alegre: Artmed, 2008.

2014-11-27 00:00:00

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