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Trabalhos escolares: ajudar ou não os filhos? Mônica Maino, Maria Alice Fontes

A participação de pais na elaboração de trabalhos escolares tem sido alvo de frequentes polêmicas. Enquanto alguns pais acreditam que os filhos precisam de orientação em casa para produzir melhores trabalhos, outros julgam que qualquer participação nesse campo é falta de ética, na medida em que nem todos têm condições de fazê-lo, isto é, alguns pais não dispõem de tempo, ou não se sentem aptos, o que colocaria seus filhos em desvantagem, já de saída.

A princípio, é importante que tenhamos clara a diferença entre tarefa de casa e trabalhos escolares. As tarefas costumam ser diárias, devem constituir um hábito saudável e cabe aos pais colaborarem, criando condições para a sua realização. É importante estabelecer horários, disponibilizar material e cobrar a conclusão e a entrega das mesmas. Esta prática é muito positiva e praticamente consenso entre psicólogos e educadores. Por ser realizado em casa, o dever permeia o cotidiano familiar e constitui, para alguns autores, o principal meio de interação família-escola (Carvalho, 2001).

O acompanhamento dos deveres de casa pelas famílias é um dos importantes fatores do sucesso escolar (Carvalho e Burity, 2005) e a relação entre o envolvimento dos pais na vida escolar dos filhos e o desempenho acadêmico destes provou ser muito positiva.

Quanto à colaboração dos pais nos trabalhos acadêmicos, algumas questões precisam ser repensadas. Geralmente, os alunos cientes de poder contar com a colaboração dos pais ficam muito excitados com a ideia de receber nota por algo que, acreditam, sairá perfeito. Já os que não têm pais tão disponíveis, interessados ou até aptos a ajudar podem se sentir mais ansiosos.

Para muitos pais, a possibilidade de uma colaboração real na nota dos filhos é tentadora; entusiasmados, acabam por se exceder e realizando, sem se dar conta, mais do que deveriam. Desta forma, não estão colaborando em nada para que seus filhos desenvolvam autonomia, o que é sua missão primordial: criar condições favoráveis para que seus filhos cresçam e se tornem adultos responsáveis.

Então, aí vão os "10 mandamentos para os pais que querem colaborar nos trabalhos dos filhos":

  1. Contenha sua ansiedade. O trabalho não é seu, você já saiu da escola faz tempo;
  2. Seu filho não precisa obter nota máxima todas as vezes; tem apenas que fazer o melhor possível nesse momento, com os recursos de que dispõe e a nota não mede quem ele é; apenas indica o quanto sabe sobre determinado assunto;
  3. Antes de tudo, pergunte a ele o que entendeu da proposta e como pensa em realizá-la. Escute-o, valorize suas ideias;
  4. Cobre dos professores orientação detalhada para realização do trabalho, bem como os critérios que serão utilizados para a avaliação. Lembre que nos trabalhos acadêmicos, assim como nos TCCs e teses de doutorado, sempre há orientação. Simplesmente ?tragam na segunda um trabalho sobre a Revolução Francesa? é praticamente uma súplica para que os alunos copiem e colem qualquer conteúdo da internet. Um trabalho faz sentido quando requer que o aluno pense: estabeleça relações, analise diferentes visões sobre um tema, compare o que leu com situações cotidianas. Você pode e deve questionar propostas empobrecidas em uma reunião com os professores. Boas propostas de trabalho deixam claro o sentido para o aluno realizar aquele trabalho;
  5. Adolescentes não costumam se sair bem manejando tempo. Ajude-o a fazer um cronograma com as diversas etapas necessárias à elaboração;
  6. Incentive-o a pesquisar em sites especializados, não apenas na wikipedia. Hoje em dia, o mais importante é saber pesquisar para acessar a informação. Ensine sobre palavras chave e maneiras de selecionar a informação que aparecer. Sites que tem credibilidade, em geral tem relação com grandes universidades ou instituições renomadas. Se já conseguir entender um artigo acadêmico, melhor ainda;
  7. Existem normas, que serão exigidas mais tarde em trabalhos: tipo de letra, tamanho, paragrafação, como citar bibliografia. Você pode dar uma lida nas normas de publicação da ABNT e já ir introduzindo algumas, mais simples;
  8. Esteja disponível para a parte de logística: levar à biblioteca, museu, local de entrevista ou à casa do colega, no caso de trabalho em grupo. Cabe a você cruzar as agendas e estar disponível nos horários combinados;
  9. Sempre que conhecerem alguém próximo que possa colaborar, como um primo biólogo marinho num trabalho sobre poluição da água, por exemplo, aproveite a oportunidade! Na vida profissional é muito importante saber a que especialista recorrer. Você deve mostrar que ninguém é obrigado a conhecer todos os assuntos profundamente, mas que é, sim, muito legal, ser um profissional que domina o conhecimento em sua área. Além disso, será uma boa ocasião de apresentar-lhe diferentes carreiras, para ele ter mais elementos para decidir, quando chegar o momento do vestibular;
  10. Não corrija todo o trabalho! Isso cabe ao professor e será uma maneira interessante de o aluno aprender ainda mais com seus erros.

Bibliografia:

  • CARVALHO, M.E.P. Relações entre família e escola e suas implicações de gênero. Cadernos de Pesquisa, n.110, p.143-155, julho. 2000.
  • CARVALHO, M.E.P., BURITY, M.H. Dever de casa: visões de mães e professoras. XXVIII Reunião Anual da Anped, Caxambu/ MG, out.2005.
  • RESENDE, Tânia F. Dever de casa: questões em torno de um consenso. FaE/UFMG.

2013-08-18 00:00:00

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