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A impulsividade e o processo de tomada de decisão. Claudia Petlik Fischer, Maria Alice Fontes

Como os indivíduos impulsivos decidem?

A impulsividade pode levar o indivíduo a decidir de forma emocional, sem levar em consideração todos os aspectos de uma situação. É comum que as pessoas impulsivas tenham arrependimento futuro por não ter feito uma boa escolha no presente. Assim, a maioria dos indivíduos impulsivos apresentam algum tipo de prejuízo no processo de tomada de decisão.

O que é a impulsividade?

A impulsividade é caracterizada por um conjunto de comportamentos multidimensionais que estão relacionados à dificuldade de atrasar a gratificação imediata. A impulsividade pode ser considerada como um ajustamento ineficiente às situações imprevisíveis. O indivíduo impulsivo quer seu prazer no momento presente e tem dificuldade de adiar a gratificação imediata, para aguardar o que virá no futuro. Existem alguns estágios comportamentais que caracterizam a impulsividade: primeiro há um impulso resultante de uma tensão crescente, em seguida o prazer de fazer algo para aliviar a vontade e, finalmente, a culpa por ter feito a ação, que pode ou não ocorrer.

Quais são os riscos da impulsividade?

É comum encontrarmos pessoas impulsivas envolvidas em episódios de agressividade, violência, comportamento social negligente, além de abuso de drogas. Existem vários transtornos psiquiátricos caracterizados por impulsividade, a maioria apresenta características semelhantes como a incapacidade de resistir a uma tentação, desejo ou impulso que pode prejudicar a si mesmo ou aos outros. Muitos transtornos psiquiátricos tem a impulsividade como principal sintoma. Eles são, principalmente, os distúrbios relacionados a abuso e dependência de substâncias, parafilias sexuais, déficit de atenção e hiperatividade, alguns transtornos de personalidade, transtorno de conduta, esquizofrenia, transtornos de humor, jogo patológico, compras compulsivas e compulsão alimentar.

Quais são as regiões do cérebro relacionadas com a impulsividade?

O indivíduos impulsivos podem apresentar falhas neurofuncionais no sistema de autorregulação, localizado nas regiões pré frontais do cérebro. O controle inibitório, ou seja a habilidade de inibir comportamentos impulsivos é comparável a uma espécie de maestro do cérebro que regula o ritmo, organiza e monitora os comportamentos. Este conjunto orquestrado de ações é chamado de funções executivas, que quando apresentam falhas regulatórias podem ter consequências desastrosas para os indivíduos. Por outro lado, quando monitorada, com julgamento e controle, as funções executivas exercem um papel central no funcionamento harmônico do individuo. A córtex pré frontal (esquerda) é o regulador final do SCR- Sistema Cerebral de Recompensa. A ação da dopamina nele determina o comportamento de busca por prazer. Com este sistema regulado, o indivíduo tem a capacidade de tolerar momentos ruins, sem buscar alívio através de gratificações imediatas. Este sistema é a popular ?força de vontade?. Por outro lado, o instinto, o impulso e gratificação são mecanismos presentes em uma parte do cérebro muito primitiva, por isto a modulação é difícil e requer muito treinamento. Já a parte do cérebro capaz de modular tal mecanismo é desenvolvida por último ? a razão, lógica e raciocínio, ou seja, a parte humana e responsável pelo processo de tomada de decisão.

Qual o papel das funções executivas para o cérebro?

De acordo com Goldberg E (2001), o cérebro humano é o sistema natural de maior complexidade de todo o universo. As funções executivas envolvem a capacidade de resolver problemas com a manutenção de iniciativa, estabelecimento de objetivos, monitorizando o curso do que está sendo realizado por meio do auto controle e repensando as estratégias de acordo com o plano original. Estas funções complexas, envolvem ações continuadas de controle mental.

Como é feito o diagnóstico e tratamento?

A impulsividade pode ser um sintoma presente em transtornos psiquiátricos, um traço na personalidade e/ou uma reação diante de uma situação de stress. Fazer essa diferenciação é fundamental para definir o melhor tratamento. Se a impulsividade está presente em um transtorno psiquiátrico é indicado o uso de medicamentos reguladores da neurotransmissão. Quanto mais cedo a pessoa aceitar que precisa de tratamento, mais preparada estará para evitar consequências negativas da impulsividade. Se a impulsividade está presente na estrutura de personalidade a psicoterapia pode ser a melhor escolha. A impulsividade na reação aguda ao estresse é transitória, mas pode causar consequências danosas. Portanto, o autoconhecimento e o controle emocional são necessários para administrar as reações frente aos estímulos. A terapia cognitiva-comportamental é reconhecidamente eficaz no treinamento deste mecanismo. O indivíduo, a partir da consciência de seu funcionamento, poder optar ter controle da impulsividade através de técnicas cognitivas. Há também medicamentos (como o topiramato, por exemplo), que agem no sentido de aumentar o tempo entre o sentir e o reagir, para que o indivíduo possa utilizar este recurso para agir de forma mais controlada.

Bibliografia:

  • Elkhonon Goldberg. Contemporary Neuropsychology and the Legacy of Luria, Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum, 1990.
  • Elkhonon Goldberg. The Executive Brain: Frontal Lobes and the Civilized Mind, NY: Oxford University Press, 2001; paperback 2002.
  • Elkhonon Goldberg. The Wisdom Paradox: How Your Mind Can Grow Stronger As Your Brain Grows Older, NY: Penguin, 2005; paperback 2006. UK edition: Free Press, Simon & Schuster, 2005.

2013-06-26 00:00:00

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