Página Inicial

Transtornos de Personalidade são padrões de funcionamento que podem ser classificados. Selma Boer, Maria Alice Fontes

A personalidade é um padrão de comportamento persistente, que determina o funcionamento psicológico e comportamental de um indivíduo: o modo como percebe as situações, como pensa a respeito de si mesmo e sobre o mundo, e como se relaciona com os outros. É uma organização dinâmica, composta através dos aspectos genéticos, cognitivos, afetivos, fisiológicos e morfológicos de uma pessoa. Entretanto, os traços de personalidade podem eventualmente constituírem um quadro patológico. Isso ocorre quando estes se tornam inflexíveis, mal-adaptativos, causando prejuízos ou sofrimento significativos para uma pessoa.

Os genes são herdados como possibilidades de se tornarem ou não determinantes de características na personalidade, dependendo do tipo de atuação ambiental. O ambiente a que pertence o indivíduo, pode favorecer o desenvolvimento de alguns traços peculiares na forma de relacionamento para com o mundo. Será sobre as potencialidades constitucionais que o ambiente desempenhará uma ação modeladora da personalidade, ou seja, o ambiente poderá alterar os rumos do desenvolvimento geral conferindo uma determinada maneira do indivíduo ser.

Quando conseguimos prever a maneira como a pessoas reagirá, como atuará em determinadas circunstâncias, em outras palavras, quando a pessoa reage sempre dessa ou daquela maneira diante das circunstâncias, e quando essas atitudes fazem sofrer (ela ou os outros), provavelmente estaremos diante de um Transtorno da Personalidade (TP).

De acordo com o DSM-IV, a classificação dos transtornos mentais se dá através de Eixos. Os transtornos clínicos, incluindo: Depressão Maior, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia, dentre outros, além dos problemas do desenvolvimento e aprendizado fazem parte do Eixo I. No Eixo II encontram-se os transtornos de personalidade ou invasivos, bem como retardo mental. De acordo com as atuais classificações, 10 são os tipos de TP, classificados em três agrupamentos.

AGRUPAMENTO A: A característica em comum entre os pacientes é um comportamento excêntrico; os pacientes são considerados pessoas "esquisitas".

  • Transtorno da Personalidade Paranóide: Marcado pela desconfiança e suspeita quanto aos outros, interpretando as atitudes alheias como malévolas. Sente-se ameaçado o tempo todo, sem que existam evidências concretas.
  • Transtorno da Personalidade Esquizóide: Crenças de que relações são prejudiciais. Estes indivíduos não tem muitos contatos sociais, não desejam e nem gostam de relacionamentos íntimos. A frieza emocional e o distanciamento afetivo pode estar presente mesmo com a pessoas da família. A escassez de relacionamentos sociais, pode levar a uma perda de contato com a realidade, e assim podem apresentar episódios psicóticos breves.
  • Transtorno da Personalidade Esquizotípica: Há formas excêntricas no comportamento e no pensamento; percepção distorcida da realidade e tendência ao isolamento. Ocorrem delírios e alucinações. Os pacientes apresentam idéias de referência, ou seja, acreditam ter poderes especiais para prever acontecimentos, ou para determinar a ação do outro. Também sustentam que determinadas situações se relacionam especialmente a eles, de forma mágica. As crenças distorcidas estão entre as mais severas dentro todos os Transtornos de Personalidade. Pode ser considerado uma forma leve de esquizofrenia.

AGRUPAMENTO B: São pacientes muito dramáticos, emotivos e erráticos. Além disso, a impulsividade é uma característica marcante.

  • Transtorno da Personalidade Anti-Social: Caracteriza-se por comportamento criminoso, desrespeito e violação a regras e aos direitos dos outros. Conhecido popularmente como "psicopatia". Quase não possuem sentimento de culpa. É frequente a manipulação do outro para atingir seus desejos e objetivos, por isso, é comum mentir e enganar.
  • Transtorno da Personalidade Borderline: Medo intenso de ser abandonado, que faz o sujeito não medir esforços para evitá-lo. Instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na auto-imagem e nos sentimentos. Impulsividade marcante, desde a adolescência, como jogar, gastar comer excessivamente, abusar de substancias, praticar sexo inseguro ou dirigir de forma irresponsável. Sensação crônica de vazio.
  • Transtorno da Personalidade Histriônica: Emocionalidade excessiva, comportamento dramático e busca constante da atenção dos outros. Esses pacientes necessitam ser o centro das atenções; para tanto, podem fazer algo dramático, como inventar estórias, dramatizar uma situação sem tanta importância, ou relatar um mal-estar. Utilizam da aparência física e de um apelo sexualizado para atrair a atenção e o elogio do outro, mesmo que para isso despendam muito tempo e um gasto excessivo para se vestir e se arrumar.
  • Transtorno da Personalidade Narcisista: Sentimento de grandiosidade, arrogância, necessidade da admiração dos outros e falta de empatia. Esse sentimento de grandiosidade se manifesta por uma supervalorização de sua importância, de suas capacidades e realizações; mostram-se surpresos ou irritados quando não recebem o louvor que idealizam ter, ou o tratamento que julgam merecer. Exigem que os outros o admirem excessivamente, e também tenham obediência às suas expectativas. Há um sentimento de menosprezo e desvalorização do outro, considerando-o com o inferior. Não levam em consideração os sentimentos e as necessidades alheias; essa falta de empatia aliada à grandiosidade pode resultar na exploração e manipulação do outro, para que sejam atingidos seus próprios desejos. A inveja é um sentimento muito comum, bem como a idéia de que é uma pessoa invejada.

AGRUPAMENTO C: A ansiedade e os medos estão presentes de forma acentuada.

  • Transtorno da Personalidade Esquiva: Marcado principalmente por uma evitação comportamental, emocional e cognitiva generalizada. Esse comportamento é explicado pelo medo intenso de uma avaliação negativa por parte dos outros. Temem ser rejeitados ou criticados, o que resulta numa vida bastante limitada. Qualquer atenção dirigida à elas pode resultar numa degradação. À qualquer crítica que recebam, por menor que seja, pode acarretar-lhes reações intensas, como por exemplo, sentirem-se gravemente magoados. Acreditam não ter nenhum atrativo.
  • Transtorno da Personalidade Dependente: Caracteriza-se principalmente por uma necessidade excessiva de ser cuidado e protegido, levando o indivíduo à uma submissão e um apego intenso ao outro, devido o medo da separação. Dificuldade em tomar decisões simples, como escolher a roupa que irão vestir, solicitando conselhos excessivos a outras pessoas. Quando um vínculo importante se rompe, os pacientes com essa personalidade, buscam, rapidamente, substituir a pessoa que perderam por outra, muitas vezes de forma indiscriminada.
  • Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva: Preocupação excessiva com organização, detalhes, perfeccionismo, controle emocional e polidez. Repetem diversas vezes uma mesma tarefas, a fim de buscar possíveis erros. O perfeccionismo que exige de si mesmo resulta em perda de prazos; Por exemplo, um relatório jamais é finalizado, pois cada detalhe deve estar absolutamente perfeito. São extremamente dedicados às obrigações, como trabalho e produtividade, excluindo totalmente situações de lazer e relacionamentos afetivos. Quando se permitem um momento de descanso, como no final de semana, sente-se desconfortáveis e culpados, por sentirem que estão "perdendo tempo". Seguem padrões morais bastante rígidos, restritos e inflexíveis, e exigem que o outro siga o mesmo padrão, exigindo que tudo seja feito à sua maneira. Tendem a não delegar tarefas por acreditam que o outro não às fará bem. Necessitam estar no controle de tudo.

De fato, o que denomina, classifica ou dá o nome ao transtorno da personalidade é a predominância de determinados traços, os quais todos nós os temos em doses pequenas. Todos temos algo de obsessivos, uma pitada de paranóia, traços de ansiedade e assim por diante. Entretanto, no transtorno da personalidade tais traços são predominantes e dominam tiranamente a maneira de reação dessas pessoas de forma a causar sofrimento (na pessoa e/ou naqueles próximos) e comprometer o desempenho.

Pessoas explosivas, teatrais, sistemáticas, meticulosas, obsessivas, cismadas, muito emotivas e outros tipos difíceis de conviver sugerem, intuitivamente para todos nós, tratar-se de uma maneira de SER e não de ESTAR assim. Ao longo da vida essas pessoas podem melhorar, através de muito empenho e vontade de evoluir. Outras estacionam, petrificadas para sempre, sofrendo e fazendo sofrer.

Os Transtornos de Personalidade são importantes porque podem representar propensões, ser preditivos ou prenunciar transtornos emocionais mais específicos. Pessoas com Transtornos de Personalidade inegavelmente têm maior risco para os diversos transtornos psíquicos, incluindo os transtornos afetivos ou do humor, transtornos de ansiedade, dependência química, esquizofrenia, entre outros.

Bibliografia:

2013-04-29 00:00:00

Profissionais relacionados

Assine nosso Informativo

Cadastre-se gratuitamente e receba nossos Boletins:
CRP/SP: 3605/J
R. João da Cruz Melão 443, Morumbi, SP (mapa)
© 2017. Clínica Plenamente.
O conteúdo deste site é protegido pela Lei de direitos autorais (Lei nº 9.610/1998), sendo vedada a sua reprodução, total ou parcial, a partir desta obra, por qualquer meio ou processo eletrônico, digital, ou mecânico (sistemas gráficos, microfílmicos, fotográficos, reprográficos, de fotocópia, fonográficos e de gravação, videográficos) sem citação da fonte e a sua reprodução com finalidades comerciais.