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Transtorno de aprendizagem não verbal: já ouviu falar disso? Cristiane Abe da Costa, Maria Alice Fontes

Você já teve oportunidade de conhecer uma criança que tem dificuldades para interpretar textos e para realizar operações aritméticas um pouco mais complexas, mas tem uma ótima memória? Então, vamos conversar sobre um quadro chamado Transtorno de Aprendizagem Não Verbal (TANV).

 

Do ponto de vista acadêmico, os portadores do TANV apresentam dificuldades na compreensão da leitura, nos conceitos matemáticos, na resolução de problemas, na teoria e nos conceitos científicos. Os conceitos são facilmente entendidos quando concretos, objetivos e simples, mas quando começam a requerer a análise e integração mais complexa, o entendimento fica comprometido.

 

Notam-se também dificuldades no relacionamento e interação social, na percepção do outro, aceitação do novo e mudança de rotina. Por outro lado, estas crianças podem ter ótimos recursos verbais e de memória. Alguns são leitores fluentes e dominam um extenso vocabulário.

 

Quais as características do transtorno de aprendizagem não verbal?

 

As características mais comentadas de acordo com Sennyey, Capovilla, Montiel (2008), são: problemas de organização viso-espacial (não conseguem distinguir rapidamente as diferenças entre formas, tamanhos, quantidades e comprimentos e apresentam dificuldade em calcular distâncias); desabilidades psicomotoras, sobretudo as de motricidade fina e equilíbrio (dificuldade, por exemplo, para aprender a andar de bicicleta, para amarrar os cadarços dos sapatos e com atividades esportivas); dificuldades em compreender ou julgar situações sociais; dificuldades em compreender linguagem corporal e expressões faciais; dificuldades em se ajustar a situações novas e complexas; déficits aritméticos e na compreensão de leitura; fala repetitiva, com entonação e modulação do volume pobre; dificuldades na formação de conceitos complexos; mas por outro lado apresentam habilidades preservadas na decodificação da leitura e memória verbal.

 

Os portadores do TANV apresentam esse conjunto de características, mas a severidade do quadro será determinada de acordo com a intensidade dos problemas, ou seja, graus dentro de um espectro de intensidade.

 

Como é realizada a avaliação?

 

A avaliação de uma criança com TANV é feita por uma equipe interdisciplinar com o auxílio de testes neuropsicológicos que devem compreender os domínios da inteligência, desempenho escolar, habilidades sensório-motoras, processamento viso-espacial, aritmética e funcionamento psicossocial. No resultado da avaliação, é possível observar no WISC, um padrão de dissociação inverso ao da dislexia: QI de execução muito inferior ao QI verbal, além das habilidades matemáticas inferiores às de leitura e soletração e a evidência de uma interação social prejudicada. Nas escalas verbais do WISC é típico, déficit no desempenho no subteste Aritmética.

 

Como é realizada a intervenção?

 

As abordagens construtivistas e sócio-construtivistas podem ser contra-indicadas em indivíduos com TANV, pois estes apresentam deficiência nos processos de intuição e muita dificuldade para aprender espontaneamente na interação social. O ensino das crianças e adolescentes com TANV deve se basear nos métodos tradicionais enfatizando as boas habilidades de memorização verbal. Schloerb (2005) oferece como estratégia, o ensino passo a passo, explicitando o contexto, o objetivo das tarefas e o modo de atingi-los, acentuando-se o caráter verbal da instrução. A aprendizagem exige instrução explícita e prática exaustiva. Vale atentar ao fato que a linguagem oral bem desenvolvida não garante a capacidade de resolução de problemas e de formação de conceitos abstratos.

 

Qual o profissional que realizada a intervenção?

 

O mais indicado é que a intervenção seja realizada por uma equipe interdisciplinar, englobando os aspectos psicológicos, pedagógicos e fonoaudiológicos, quando necessário. Os profissionais da equipe devem atuar de maneira alinhada, inclusive com as condutas médica e da instituição de ensino. A linha psicológica mais indicada, de acordo com a literatura, é a terapia cognitivo-comportamental que permite o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e de habilidades sociais.

 

 

Referências:

 

Mercadante MT et al. (2006). Transtornos invasivos do desenvolvimento não-autísticos: síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância e transtornos invasivos do desenvolvimento sem outras especificação. Revista Brasileira de Psiquiatria, 28 (Supl. I): 12-20.

 

Rourke, BP (1989). Nonverbal Learning Disabilities: The syndrome and the model. New York: The Guildford Press.

 

Sands AS & Schwarts MA (2000). Nonverbal Learning Disabilities. NYU Child Study Center Letter, 4 (5), may/june.

 

Schloerb AP (2005). The impact of Nonverbal Learning Disabilities on early development. Praxis, 5, 53-60.

 

Sennyey AL Capovilla FC Montiel JM. Transtornos de aprendizagem da avaliação à reabilitação. São Paulo: Artes Médicas, 2008.

 

http://www.republicaeditorial.com.br/?p=750

 

http://npsi-reha.blogspot.com/2007/04/o-que-o-transtorno-no-verbal-de.html

 

2011-03-10 00:00:00

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