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Férias da criançada: trabalho para os pais? Silvia P. Ruschel, Maria Alice Fontes

Agendas lotadas, horários definidos e apertados entre um compromisso e outro, rotina, corre-corre, enfim é o nosso dia a dia (e também de muitas crianças). Para os pequenos, que têm o dia atribulado com horários da escola, esportes, cursos de inglês, música, informática, entre tantas outras atividades, o mês de julho parece ser um dos mais esperados, pois finalmente chegam as férias e o descanso merecido! Mas com tantos compromissos (a agenda de algumas crianças parece ser a de um profissional) corre-se o risco de a criança estar com um nível de estresse semelhante a de seus pais que trabalham diariamente.

Existe estresse infantil? O que pode causá-lo?
O estresse infantil existe sim e pode ser causado pelo acúmulo de compromissos e o dia lotado a que muitas crianças são submetidas. Em algumas situações, o nascimento de um irmão, a separação de pais, mudança de casa, ou escolas inadequadas, também podem causar o estresse infantil. Há, ainda, fatores internos, como timidez excessiva, predisposição genética, depressão ou o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade como fatores geradores de estresse. “O estresse não é uma doença. É uma condição que enfraquece o organismo e, assim, oferece oportunidade para as doenças surgirem” (Lipp, 2003).

Obviamente que as férias podem e devem servir como uma pausa no ritmo acelerado e de muitos compromissos do dia a dia, funcionando como um tempo de descanso, lazer, parada e mudança de rotina. Porém, é preciso ficar atento e perceber se uma viagem, ida a cinemas ou parques não estão servindo somente como medidas paliativas para o estresse infantil, que atenuarão os sintomas da criança, porém, não estarão agindo na causa dos mesmos. Portanto, se há realmente um quadro de estresse no qual a criança já denote sintomas e seja algo persistente, muitas vezes, é necessário buscar a ajuda de um psicólogo para melhor orientação das medidas a serem tomadas.

Não sendo o caso, a temporada de férias deve ser aproveitada para exercitar momentos de aproximação entre a família, buscar priorizar o encontro e diálogo, diminuir as cobranças e deixar fluir um convívio mais harmonioso, sem tantas exigências de estudo, horários, metas a serem atingidas, etc. Proporcionar um momento de jogo, brincadeira, leitura, ou mesmo um bate-papo, pode surpreendentemente aproximar e reforçar os vínculos familiares, mesmo que isso não seja realizado em uma grande viagem.

Afinal, “sabemos da falta de dinheiro para diferentes passeios, sabemos do tempo reduzido e do cansaço...mas é de qualidade e atenção que falamos... se não há como viajar a outros lugares, haverá como viajar em leituras, se não há como comprar ingressos, há de se divertir na pracinha, no campo ou na visita a alguém muito querido, se não há como descobrir novos espaços, há de se descobrir novas idéias com conversas e diálogos. O importante é intensificar os momentos de estar juntos...intensificar porque eles devem acontecer mesmo que não se esteja de férias...mas nas férias serem premiados pela presença e pela importância de um período de folga, diante de tantas cobranças que o cotidiano disciplinar envolve desde cedo, os direitos à escolha de momentos prazerosos...de não fazendo nada, tudo poder fazer.” (Ângela Paiva).

Se as férias devem ser agradáveis, o retorno à rotina não pode ser o oposto. Após tanta curtição, lazer, folga e mudança de horários, é natural que a volta à escola ou ao trabalho seja sentido como algo penoso, difícil e pouco compensador e prazeroso. Em algumas situações, pode ocorrer, inclusive, apatia, tristeza, irritabilidade, falta de concentração e ansiedade, além de um certo grau de sonolência na volta da criança às aulas e aos demais compromissos. Esse quadro, denominado pelos especialistas de Síndrome Pós-férias, é natural e pode ocorrer pela mudança no ritmo biológico das pessoas que afeta o organismo de algumas delas de forma mais intensa.

Como prevenir a síndrome pós-férias?
O retorno das férias, principalmente das crianças, exige um reajuste progressivo às antigas exigências e quanto mais longas as férias, maior pode ser a dificuldade de se readaptar ao ritmo anterior. Partindo do princípio que o ambiente familiar e escolar seja adequado, se ocorrer a Síndorme Pós-férias, ela não irá perdurar, em média, mais do que 10 dias. Para evitá-la, sugerimos algumas atitudes:

-transmitir uma impressão positiva do que representa a educação, ir à escola;
-reestabelecer os horários para dormir e despertar alguns dias antes do início das aulas para, aos poucos, ir ajustando os horários das férias com os horários dos compromissos regulares;
-não deixar compra de uniformes, materiais, livros, etc, para última hora, pois a ansiedade dos pais certamente será repassada aos filhos;
-entrar em contato e/ou reencontrar os colegas da escola antes do início das aulas pode ser uma forma de “quebrar o gelo inicial”;

Enfim, especialmente com crianças é importante organização e preparo para o regresso das férias, além de uma boa dose de paciência e carinho.

O momento das férias chegou. Lembrem-se que os pais normalmente têm um discernimento muito maior do que seus filhos, portanto são eles que devem conduzir para que este seja um período especial.

*Texto elaborado a partir das seguintes fontes:
http://br.guiainfantil.com/aprendizagem/75-as-criancas-e-a-volta-as-aulas.html
http://br.guiainfantil.com/aprendizagem/74-a-sindrome-pos-ferias-e-as-crianca.html
http://www.asfoe.com.br/artigos/ferias.htm
LIPP, N. Marilda. Crianças estressadas: causas, sintomas e soluções (org). Ed Papirus, 2003.

2009-07-11 00:00:00

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