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A importância da leitura nos primeiros anos de vida. Silvia P. Ruschel, Maria Alice Fontes

Pais e filhos têm encontrado na leitura um fascinante ponto de encontro, seja pela crença de que a leitura proporciona ferramentas para os anos escolares seguintes, ou simplesmente porque há poucas coisas tão reconfortantes como a leitura. Durante gerações esta espontânea interação entre pais – filhos – livros, tem permitido não só que se estreitem os vínculos afetivos, mas que as crianças pequenas adquiram segurança em si mesmas graças às experiências cognitivas, emocionais e verbais que os livros oferecem. A leitura se trata da possibilidade de fazer deste hábito um ato familiar, um momento propício para que pais e filhos estejam juntos e possam compartilhar experiências e emoções.


Há alguma etapa da vida ideal para começarmos a ler para as crianças? Por quê?

Já há dez anos atrás, alguns autores começaram a defender que as crianças deveriam ter contato com livros antes mesmo de saberem ler. Como exemplo, lembramos o artigo intitulado “Fertile Minds” e publicado na revista Time que teve uma grande repercussão ao mostrar a importância de estimular a tempo o bebê em distintos processos: aquisição da linguagem, desenvolvimento sensorial, emocional e motor, entre outros. Segundo o Dr. Frank Newman, os primeiros anos, e em especial o primeiro, são importantíssimos no desenvolvimento neuro cognitivo do indivíduo. Dentre as situações estimulantes das quais não se deve prescindir, se encontram as experiências lingüísticas.


Quais são as experiências lingüísticas que podemos proporcionar aos bebês e pequenas crianças?

Os adultos devem falar, responder aos primeiros sons (balbucio) que os bebês emitem, cantar, entoar versos e contar histórias desde muito cedo, ou seja, esta iniciação no universo da palavra deve realizar-se desde que a criança venha ao mundo. De fato, é importante que o bebê escute constantemente as melodiosas vozes de seus pais e/ou cuidadores; quanto mais lhe falem, cantem, contem e leiam, mais acelerado e seguro será o processo de aquisição da linguagem. Alguns estudiosos sugerem, inclusive, que estas experiências devem começar ainda quando o bebê se encontra no útero.


A leitura de livros pelos adultos ajudará a criança no processo de alfabetização?

Sem dúvida, a leitura realizada pelo adulto resulta em uma experiência única, não só pelo ritmo, a sensação de clímax e pela maravilhosa descoberta do que a palavra lhe proporciona, mas também porque inicia a criança no mundo da linguagem escrita, um mundo que o adulto se encontra imerso no dia a dia.

A criança poderá observar guiada pelo adulto, as diferenças entre imagem e “texto”, a direcionalidade da leitura (da esquerda para direita e de cima para baixo), as diferentes tipologias de letras, o uso de maiúsculas e minúsculas, a presença de espaços entre as palavras, enfim, normas e convenções que, posteriormente, deverão utilizar ao se alfabetizarem.


E na esfera emocional, qual é o papel da nossa leitura para as crianças?

Este primeiro contato com a palavra escrita, ainda que não seja com a sua forma gráfica é fundamental, diz Graciela Montes. Apoiando-se na teoria de Winnicott, sugere que os livros oferecem a possibilidade para os indivíduos se deliciarem na enorme “fronteira” da palavra. Esta “fronteira” representa exatamente onde a realidade psíquica e a realidade exterior se fundem, interatuam. Assim, as histórias criam possibilidades de lidar com o simbólico e podem possibilitar às crianças a elaboração de traumas, situações difíceis, medos e fatos relativos ao seu cotidiano como mudanças e situações novas, como por exemplo: a entrada na escola, nascimento de um irmão, viagem dos pais, perdas, etc.


Enfim, segundo Evelyn Arizpe para incentivar a leitura com pré-leitores não basta proporcionar-lhes livros, mas sim contar e cantar, animá-los a conversar e fazer jogos com rimas e gestos. Estes estímulos lingüísticos lhes proporcionam o suporte para ir construindo a sua relação pessoal com os livros. Os bebês começam a entender que os livros são algo mais que os jogos, que são objetos especiais. Com cada pessoa, o tom de voz, a “leitura das imagens” e as histórias serão um pouco distintas. Além disso, quando alguém está cansado de correr e jogar, um livro será a melhor desculpa para as crianças se acomodarem entre os braços da mamãe, papai ou dos avós.

 

 

 

*Texto traduzido e adaptado a partir dos artigos “Portas para a palavra escrita” de Brenda Bellorín e “Isabel e os livros: diário de uma pré-leitora”, autoria de Evelyn Arizpe, ambos publicados no jornal Espacios para la Lectura (nº 5, 2000).

2008-11-18 00:00:00

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