Página Inicial

Sexualidade Infantil. Selma Boer, Maria Alice Fontes

Para os adultos, o assunto da sexualidade geralmente remete ao erótico, por isso a sexualidade infantil acaba sendo um tabu para muitos pais. O desenvolvimento da sexualidade pode ser observada ao longo das diferentes fases da infância e adolescência, tendo aspectos particulares em cada etapa da vida do ser humano.


Os comportamentos e perguntas sexuais da criança podem causar diversos sentimentos nos pais, todos eles ligados à dificuldade de lidar com essa situação. Sempre vem à mente perguntas como: “O que eu faço?”, “Como eu respondo a essa pergunta?”, “Devo repreender meu filho ou não dar atenção para o que ele está fazendo?”


É muito importante ressaltar que as crianças aprendem os comportamentos, a se relacionar consigo mesma e com o mundo a partir dos adultos. Vamos imaginar que a criança nasce como uma página em branco: tudo o que será escrito nessa página dependerá muito da relação dos pais com essa criança. Da mesma forma que a criança aprende a falar, a andar, a escrever imitando os adultos, também será a partir de nós que ela vai aprender se sexo é bonito ou feio, certo ou errado, se deve ser feito com responsabilidade ou não.


Conversar sobre sexualidade com a criança pode estimulá-la precocemente?

Não, pelo contrário. Pesquisas revelam que quanto melhor a comunicação entre pais e filhos sobre sexualidade, menores são os riscos da criança ser vítima de abuso sexual, de gravidez na adolescência e de doenças sexualmente transmissíveis. Uma comunicação adequada estreita os laços familiares e deixa as crianças mais seguras e futuramente, adultos mais responsáveis. Assim a criança pensará “Vou perguntar para o papai e a mamãe que eles sempre me respondem”.


Quais são as principais perguntas e comportamentos sexuais das crianças, e como os pais devem agir?


- Perguntas sobre sexo: a princípio os pais podem ficar embaraçados com as perguntas. Responda somente ao que foi perguntado, de uma forma bem objetiva. A criança está curiosa, e responder dessa forma cessará sua curiosidade. Se os pais considerarem muito difícil responder à pergunta, diga que não sabe, mas que vai procurar a resposta para a criança. Se sentir necessidade, procure ajuda profissional, como o professor ou psicólogo para saber como conduzir da melhor forma.


- Pedir para ver o genital do outro (adulto ou criança): geralmente, a primeira dúvida da criança é sobre as diferenças entre meninos e meninas. Fale sobre essas diferenças, mostre figuras apropriadas à idade, e aproveite para introduzir os conceitos pênis e vagina. Os papéis feminino e masculino começam a ser aprendidos; nesse ponto é necessário ter cautela ao mostrar o que se espera de um homem e de uma mulher quanto a sexualidade. Ensinar que meninas devem ser sempre passivas e “quietinhas”, pode atrapalhar o desenvolvimento natural da sexualidade, além de deixar as meninas mais sucetíveis a abusos sexuais. Por outro lado, se o menino for estimulado a ser apenas namorador, poderá insitar o desenvolvimento sexual sem afeto e promíscuo.


- Masturbação: A criança, ainda bebê aprende a explorar o próprio corpo e a tirar prazer dele. Em algum momento essa exploração do corpo acontecerá nos genitais; uma experiência natural ao desenvolvimento. Ao ver uma criança tocando nos genitais, desvie a atenção dela para algo que ela gosta. Não brigue ou a puna. Outra oportunidade nessa situação é ensinar para a criança a noção de privacidade. Diga que você pode entender ser gostoso, mas que isso não deve ser feito na frente das pessoas. Se você perceber que seu filho está repetindo isso freqüentemente na frente das pessoas, procure um psicólogo, pois ele pode estar querendo chamar a atenção, ou sendo sintoma de algum outro problema.


- Namoro/ beijar colegas: A criança imita o adulto a todo momento. Ao ver adultos, ou até mesmo os pais se beijando, ela pode querer fazer o mesmo e dizer que está namorando alguém da escola. Não reaja de forma agressiva; reforce sempre de que se trata de um (a) amiguinho (a), e que nessa fase da vida existem comportamentos mais adequados, como brincar.


Hoje em dia existe uma avalanche de conteúdos inadequados expostos na mídia. Danças erotizadas, crianças se vestindo e se comportando como adultos. Devemos lembrar sempre que criança deve ser tratada como criança. Com essa exposição inadequada, a criança acaba recebendo um estímulo que não condiz com sua maturidade emocional; ou seja, ela não tem preparo psicológico para lidar com ele. A exposição à esses estímulos pode fazer com que a criança pule etapas do seu desenvolvimento normal e acabe por ter uma sexualidade precoce, o que não é saudável.


Discutir sobre sexualidade é um fato que vem ganhando espaço a cada dia; há algumas décadas atrás isso não podia ser feito, e quanto à sexualidade infantil, isso sequer poderia ser pensado. Devemos aproveitar essa oportunidade para que as crianças se desenvolvam cada vez mais saudáveis. Dificuldades em lidar com esse assunto podem existir, principalmente para alguns adultos. Vamos lembrar que somos frutos da educação que tivemos. A forma como lidamos com a nossa sexualidade e com as perguntas das crianças depende de como esses conceitos nos foram mostrados em nossa infância. Para pessoas com muito embaraço em lidar com esse assunto, procurar um profissional psicólogo é de grande importância, a fim de investigar as causas dos eventuais conflitos..

Para maiores detalhes sobre cada fase do desenvolvimento e o que é esperado em cada idade, veja nosso texto sobre Desenvolvimento Humano: http://www.plenamente.com.br/desenvolvimento_humano.htm#1d

 

Referências bibliográficas

 

http://www.ejhs.org/volume3/Haroian/body.htm

http://www.guiadobebe.uol.com.br/bb2a3/sexualidade_infantil.htm

http://www.plenamente.com.br/desenvolvimento_humano.htm#1d

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2008-09-11 00:00:00

Profissionais relacionados

Temas relacionados

Notícias relacionadas

Assine nosso Informativo

Cadastre-se gratuitamente e receba nossos Boletins:
CRP/SP: 3605/J
R. João da Cruz Melão 443, Morumbi, SP (mapa)
© 2017. Clínica Plenamente.
O conteúdo deste site é protegido pela Lei de direitos autorais (Lei nº 9.610/1998), sendo vedada a sua reprodução, total ou parcial, a partir desta obra, por qualquer meio ou processo eletrônico, digital, ou mecânico (sistemas gráficos, microfílmicos, fotográficos, reprográficos, de fotocópia, fonográficos e de gravação, videográficos) sem citação da fonte e a sua reprodução com finalidades comerciais.