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O que é o Autismo. Silvia Pellegrini Ruschel, Maria Alice Fontes

Existem quadros psicopatológicos na infância, e que se estendem por toda a vida, que prejudicam de forma significativa o desenvolvimento de habilidades de interação social e de comunicação, além de apresentar um comportamento global anômalo e estereotipado. Esses quadros fazem parte dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento e o mais comum entre eles é o autismo.

A palavra “autismo” foi cunhada em 1911 para descrever um sintoma da esquizofrenia. Naquela época foi designada para definir a “fuga da realidade”, sintoma comum nos pacientes esquizofrênicos. O autismo foi descrito pela primeira vez em 1943 pelo médico Leo Kanner, que utilizou esse termo com a intenção de agrupar características específicas apresentadas por crianças cujo comportamento encontrava-se distante do padrão de normalidade de crianças da mesma idade. De acordo com esse estudioso, a característica que mais se destacava era a incapacidade para estabelecer contato afetivo normal com outras pessoas.

O que é autismo?
O autismo é um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento , cujas características são observadas ainda na primeira infância e se estende para a vida toda. O autismo não é adquirido ao longo da vida, e sim inato. É um transtorno que se caracteriza principalmente pela falta de interesse na interação com outras pessoas, sejam crianças ou adultos. As pessoas com Transtorno Autista apresentam dificuldades em estabelecer vínculos afetivos, na comunicação verbal e não-verbal, na interação social, nas brincadeiras ou outras atividades de lazer. Embora ainda não estejam esclarecidas as verdadeiras causas do autismo, a hipótese mais confiável é que ele resulte de uma disfunção neurológica que afeta o funcionamento normal do cérebro, trazendo prejuízos para o desenvolvimento da interação social e a comunicação.

Quais são as características do autismo?
As características do autismo se classificam em três tipos. No primeiro, e o mais importante de todos, há um prejuízo significativo da interação social. A criança não demonstra interesse em estabelecer relações com colegas, apresenta pouco ou nenhum contato visual, ausência de expressão facial das emoções, postura corporal avessa a interação social. O segundo tipo de características refere-se à alteração da comunicação, como atraso ou ausência do desenvolvimento da fala – sendo que a criança não usa estratégias de compensação para esse déficit, como por exemplo o uso de linguagem gestual – ; falta de iniciativa para o diálogo com outros, ecolalia (repetir a fala de outra pessoa); perseveração em apenas um assunto. O terceiro tipo enquadra-se nos padrões de comportamento e interesses da criança. Há uma dificuldade importante quanto às mudanças de rotina, que se manifesta por mudanças de humor, irritabilidade,  gritos ou choro prolongado; presença de manias motoras repetitivas e estereotipadas, como agitação ou contorção de mãos e dedos, balanço de cabeça ou do corpo, giros, etc.; também há a presença de uma preocupação persistente por partes de objetos, como por exemplo a roda de um carrinho.

Quais são as causas do autismo?
Estudos sugerem que o autismo sejam causado por anormalidades na estrutura e função cerebrais. Essa hipótese é sustentada pelas técnicas de neuroimagem que mostram diferenças na estrutura do cérebro de crianças autistas. Algumas condições médicas deixam a criança mais propensa ao autismo, entre elas a Síndrome do Frágil X, a esclerose tuberal, a rubéola congênita e a fenilcetonúria.

Qual é a prevalência do autismo?
Esse transtorno afeta cerca de 2 a 5 casos a casa 10.000 indivíduos. Não há nenhuma característica racial, étnica ou social que deixe a criança mais suscetível ao autismo. Ele pode afetar qualquer criança; no entanto, atinge quatro vezes mais os meninos do que as meninas.

Como é o tratamento de crianças autistas?
Embora ainda não exista uma cura para o autismo, é possível que a criança se beneficie com um programa de educação adequado. O tratamento deve ter como foco principal o desenvolvimento de habilidades de interação social adequadas, e que conseqüentemente envolve estratégias para a melhoria da linguagem e da comunicação. O autismo é um problema que deve ser tratado por uma equipe multiprofissional, envolvendo médico, psicólogo, fonoaudiólogo e educadores. O desenvolvimento de habilidades de relacionamento social é primordial para o desenvolvimento global de toda criança, pois é através da interação que se dá o aprendizado, seja acadêmico ou social.


Referências bibliográficas

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais - 4º edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. 845 p.
http://www.autismo.com.br
http://www.autism-society.org

 Agradecemos a psicóloga Selma Boer, pelo auxílio na elaboração do texto

 

 

 

 

 

 

2007-11-19 00:00:00

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