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O que é o Alcoolismo - Maria Alice Fontes

Os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano datam de aproximadamente 6000 a.C., e esse hábito entre as pessoas vem sendo sustentado a longo de toda história da humanidade. Inicialmente, as bebidas tinham baixo teor alcoólico. Foi na Idade Média que surgiram as bebidas destiladas, consideradas como remédio para muitas doenças, pois aliviavam as dores rapidamente. Mas foi só a partir da Revolução Industrial, quando ocorreu um aumento na oferta de bebidas, que se passou a ter problemas mais expressivos com o consumo de álcool, o que hoje se constitui num problema de saúde pública.


Apesar do álcool ser amplamente consumido pela sociedade, poucas pessoas se lembram que ele é uma droga psicotrópica, que atua no Sistema Nervoso Central. O abuso desta droga lícita acarreta mudanças de comportamento com um potencial muito grande para desenvolver dependência com o uso continuado.


O que é alcoolismo?

O consumo prolongado de álcool desenvolve a tolerância, ou seja, o indivíduo necessita de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito em seu organismo. Quando um indivíduo já com alto nível de tolerância, interrompe do uso, aparecem os sintomas de abstinência, ou seja, os efeitos da falta da droga no organismo. Dessa forma, instala-se progressivamente o quadro de dependência da substância, chamado de alcoolismo. O alcoolismo é uma doença crônica que traz prejuízos muito graves para a vida do indivíduo. Nos quadros de dependência, o sujeito emprega um tempo cada vez maior de sua vida somente nas atividades relacionadas ao consumo do álcool, abandonando progressivamente outros prazeres e interesses. O alcoolismo atinge entre 5 e 10% dos brasileiros.


Como o alcoolismo afeta a vida das pessoas?

Essa doença provoca conseqüências negativas nos aspectos social, profissional, familiar. Ocorre um estreitamento do repertório de vida e o indivíduo vai restringindo sua vida as atividades, lugares e companhias relacionadas ao consumo do álcool. A saúde física e mental do indivíduo vai progressivamente sofrendo uma série de prejuízos, acarretando altos custos para a sociedade.

  
           
- Prejuízos para a sociedade

Cerca de 45% das mortes no trânsito da capital paulista são causados por motoristas que tinham consumido álcool.

Cerca de 15% dos trabalhadores brasileiros são dependentes de álcool; causando número de faltas sem justificativa três vezes maior que os demais empregados, apresentam produtividade 30% menor que os não usuários, além de envolverem-se em acidentes de trabalho cinco vezes mais.

            - Prejuízos para a saúde

Com a progressão da doença, os prejuízos para a saúde do indivíduo se agravam. O órgão mais afetado pelo alcoolismo é o fígado, entretanto observam-se problemas em todo o organismo como: cérebro, coração, trato digestivo, sangue e as glândulas hormonais. As doenças decorrentes do alcoolismo são muito graves e crônicas, podendo levar o indivíduo à morte.

            - Prejuízos neuropsicológicos

Sendo o cérebro outro órgão bastante prejudicado pelo alcoolismo, os dependentes podem desenvolver quadros demenciais com déficits cognitivos importantes. As alterações neuropsicológicas mais freqüentes nos dependentes de álcool são: problemas de memória, aprendizagem, abstração, função executiva (iniciar ações, planejar e resolver problemas). Esses indivíduos também apresentam mais erros na execução de tarefas, e uma maior lentificação psicomotora e no processamento de informações. Essas alterações neuropsicológicas tendem a melhorar durante a abstinência, embora de acordo com a gravidade dos quadros exista a manutenção dos déficits mesmo após anos desde a última ingestão de álcool, dada a gravidade dos danos causados ao cérebro.

            - Prejuízos afetivos e familiares

A deterioração das relações afetivas e familiares dos dependentes de álcool é evidente. A busca incessante pela droga afasta o indivíduo de suas relações. As alterações comportamentais decorrentes do alcoolismo (por exemplo, o indivíduo se tornar agressivo, entre outras alterações) provoca forte tensão psicológica no ambiente familiar, culminando em muitos casos, em violência familiar e separações. Os filhos dos alcoolistas também estão mais suscetíveis a desenvolver problemas com a auto-estima e queda no rendimento escolar. Enfim, a família precisa se conscientizar de que o alcoolismo é uma doença e procurar ajuda o quanto antes para que não “adoeça” junto com o dependente.


Como é o tratamento do alcoolismo?

É difícil conscientizar o indivíduo alcoólico sobre sua doença. Normalmente, ele diz “estar no controle” e não percebe as perdas que vem sofrendo progressivamente. Assim, a busca por um tratamento só ocorre quando essas perdas já se encontram num estado de maior gravidade, ou seja, quando o funcionamento da vida do indivíduo se apresenta prejudicado em alguma área que o indivíduo julgue significativa. O tratamento deve envolver uma equipe multidisciplinar, com médico, psicólogo e outros profissionais de saúde. As condições neuropsicológicas do paciente deverão ser avaliadas pelo neuropsicólogo, a fim de melhor delinear o programa de tratamento e o prognóstico da doença. Vale lembrar que o alcoolismo é uma doença crônica, e por ter esse caráter, não existe a cura e sim o controle da doença, ou seja, manter-se afastado do álcool para sempre.

 

 

 

Referências bibliográficas

Cunha PJ, Novaes MA. Avaliação neurocognitiva no abuso e dependência do álcool: implicações para o tratamento. Rev Bras Psiquiatr 26 (supl 1): 23-27, 2004.

http://www.alcoolismo.com.br

http://alcoholism.about.com

http://www.niaaa.nih.gov

http://www.cebrid.epm.br

 

 

 

 

Agradecemos a psicóloga Selma Boer pelo auxilio na elaboração do texto.

 

2007-10-07 00:00:00

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