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Ansiedade de Separação. Silvia Ruschel, Maria Alice Fontes

 

O medo é um sentimento inerente ao ser humano. Todas as pessoas, tanto adultos quanto crianças e adolescentes sentem medo como resposta a alguma situação perigosa. Nesses casos, o medo é benéfico para a preservação do bem estar e da sobrevivência humana.

É normal que a criança sinta alguma insegurança ou medo quando se separa da mãe ou de outra pessoa com quem tem forte vínculo afetivo. No entanto, para algumas crianças essa experiência tem uma carga de sofrimento bastante significativo, que pode trazer prejuízos importantes para seu desenvolvimento. Esses casos fazem parte de um quadro chamado Transtorno de Ansiedade de Separação.

O que é a Ansiedade de Separação?

O Transtorno de Ansiedade de Separação, o quadro ansioso mais comum entre crianças, acometendo 4% dessa população, se caracteriza principalmente pela ansiedade excessiva envolvendo o afastamento de casa ou de pessoas com quem a criança mantém uma forte ligação afetiva, especialmente a mãe. Essas crianças também podem sofrer antecipadamente ao saberem de uma futura separação. A ansiedade elevada interfere nas atividades cotidianas da criança, trazendo prejuízos nos campos social, escolar e familiar. Ir para a escola, brincar na casa de amigos ou ir à uma festa de aniversário sem a presença dos pais são atividades que ao invés de proporcionar prazer e divertimento para a criança, tornam-se extremamente sofríveis de enfrentar, são evitadas a todo custo, ou até mesmo podem deixar de ser realizadas.

Quais são os sintomas?


Os sintomas desse Transtorno se referem essencialmente ao sofrimento intenso por estar afastado de casa ou da figura de vinculação. Essas crianças apresentam medo excessivo de se perderem e nunca mais reverem seus pais, além da preocupação irrealista sobre perigos que lhes possam acontecer. Em função dessa ansiedade exagerada, a criança reluta de forma persistente a sair de casa sem os pais. A recusa em ir à escola e em dormir sozinha, passam a ser constantes, pesadelos com temas de separação e queixas físicas como dores de cabeça, de estômago ou vômitos no momento da separação ou antecipadamente fazem parte do quadro.

Quais são as causas do Transtorno de Ansiedade de Separação?


Ainda não se sabe ao certo as causas desse problema, embora muitos casos sejam precedidos pela ocorrência de alguma situação estressante na vida da criança, como adoecimento, separação dos pais, internação hospitalar, mudanças de casa ou de escola, doença e/ou morte de familiares próximos ou de animais de estimação. Há casos em que a criança manifesta os sintomas no retorno às aulas, após o período de férias em que passou um longo tempo com seus pais.

O que os pais devem fazer para ajudar o filho com esse problema? Existe tratamento?


Caso os pais percebam que a ansiedade do filho é muito elevada e persistente, devem procurar um profissional de saúde mental. O tratamento da Ansiedade de Separação envolve necessariamente a terapia, orientação dos pais e a mudança de alguns comportamentos da família (a fim de estimular a independência da criança), e a escola quando existe a recusa em freqüentá-la – o que ocorre na maioria dos casos.

O que pode acontecer se esse Transtorno não for tratado adequadamente?


Algumas consequências podem acontecer tanto de forma imediata quanto a longo prazo na vida da criança. O medo e ansiedade excessivos interferem na interação social da criança, prejudicando seu convívio com os colegas. Isso pode acarretar um isolamento e conseqüentemente sintomas depressivos. A falta de socialização e a dependência dos pais são fatores que contribuem para a imaturidade da criança, não só na infância, mas também em sua futura idade adulta. A queda do rendimento escolar também é uma conseqüência bastante observada. Além dessas possíveis consequências, é importante ressaltar que a Ansiedade de Separação é um fator de predisposição ao Transtorno de Pânico. Por esses motivos, é importante buscar ajuda profissional o quanto antes para minimizar o sofrimento da criança e preveni-la de outros problemas futuros.

Referências bibliográficas

http://gballone.sites.uol.com.br/infantil/ansinfancia.html 

http://www.manualmerck.net/?url=/artigos/%3Fid%3D299%26cn%3D1579 

http://www.psicosite.com.br/tra/inf/anssepara.htm 

http://www.helpguide.org/mental/separation_anxiety_causes_prevention_treatment.htm

http://aacap.org

 

 

 

Agradeçemos a colaboração da Psicóloga Selma Boer

2007-05-09 00:00:00

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