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Medicação e/ou terapia? Qual a participação de cada um?

Todas as pessoas encontram-se sujeitas a desenvolver algum problema de ordem mental. Dentre estes, temos a ansiedade, depressão, estresse, ou mesmo os mais severos, como a esquizofrenia. Todas essas condições podem ser diagnosticadas e tratadas adequadamente por profissionais de saúde mental, e muitos pacientes apresentam uma melhor qualidade de vida após o tratamento.

Os medicamentos usados para tratar os problemas de ordem psicológica ou psiquiátrica chamam-se psicofármacos. A cada dia novos produtos são testados e lançados no mercado, ampliando a variedade de opções de tratamento e ao mesmo tempo dificultando sua escolha, levando o profissional a uma busca contínua de conhecimentos para usar adequadamente as alternativas disponíveis.

Entre as doenças mentais que tiveram suas alternativas de tratamento aprimoradas, pode-se destacar, nas últimas duas décadas, a ansiedade e a depressão. Essa mudança se deve principalmente ao desenvolvimento de técnicas psicoterapêuticas mais eficazes e efetivas, e do progresso científico da psicofarmacologia.

Geralmente, as abordagens terapêuticas dos transtornos mentais encontram-se divididas em biológicas (medicação) e não-biológicas (psicoterapia). Porém, essa divisão é meramente didática, uma vez que todas as ações, comportamentos e cognições do ser humano acontecem dentro do cérebro e refletem atividades neurofisiológicas. Entende-se assim, que a psicoterapia atua no psiquismo, mas também sobre um substrato biológico ao modificar esses comportamentos e cognições.

A atuação dos medicamentos pode tornar a psicoterapia mais efetiva, pois podem reduzir a severidade dos sintomas e aumentar a adesão do paciente à intervenção psicoterápica. 1, 3 Por exemplo, se uma pessoa apresenta um quadro de depressão muito severo, pode ter dificuldades de comunicação com o terapeuta e até mesmo de se expor às habilidades sociais que são comprometidas nesses casos. A medicação correta auxiliará o paciente na redução dos sintomas, e assim responder à psicoterapia de maneira mais adequada.

Vale ressaltar assim, que a medicação tem o poder de oferecer alívio sintomático para o individuo, possibilitando uma melhor qualidade de vida social e profissional, além promover alternativas para lidar com seus problemas.1 Dessa forma, quando bem indicada é consenso que a combinação de psicoterapia e terapia medicamentosa oferece resultados mais eficazes ao paciente do que quando comparada a qualquer uma dessas modalidades isoladamente. 1, 4

O tempo de duração da terapia medicamentosa varia entre os indivíduos e depende do tipo de transtorno. Pessoas deprimidas ou ansiosas podem necessitar de medicamentos durante apenas alguns meses, enquanto a esquizofrenia ou o transtorno bipolar requer que o paciente seja submetido a essa terapêutica por muito mais tempo, às vezes até indefinidamente.

Como qualquer outro medicamento, os psicofármacos não produzem o mesmo efeito para todas as pessoas. Um determinado tipo e dosagem de medicamento pode ser eficaz para uma pessoa, mas não ser o mais correto para outra. Alguns pacientes podem ter efeitos colaterais, enquanto outros não apresentam queixa alguma. Alguns dos fatores que podem interferir no efeito do medicamento são: idade, sexo, aspectos corporais e químicos, doenças físicas, uso de outros medicamentos, tipo de dieta, e tabagismo. 1

Os tipos mais comuns de psicofármacos são: 1, 6
• Antidepressivos: Os antidepressivos são drogas que aumentam o tônus psíquico melhorando o humor e, conseqüentemente, melhorando a psicomotricidade de maneira global. Esses medicamentos são prescritos com maior freqüência para pessoas com sintomas severos de depressão, embora também sejam utilizados por quem os apresenta de forma moderada. Alguns desses medicamentos são: fluoxetina (Prozac®, Daforin®, Fluxene®, Psiquial®), sertralina (Tolrest®, Zoloft®), citalopram (Cipramil®), paroxetina (Pondera®, Aropax®), venlafaxina (Efexor®), fluvoxamina (Luvox®), entre outros.
• Ansiolíticos: são drogas capazes de atuar sobre a ansiedade e a tensão. Estas drogas foram chamadas de tranqüilizantes, por terem a capacidade de acalmar as pessoas tensas e ansiosas. Eles incluem os benzodiazepínicos, que trazem o alívio dos sintomas por apenas um curto período de tempo. Sendo assim, esses medicamentos podem causar dependência, e por isso devem ser prescritos e utilizados com cautela. Alguns dos ansiolíticos são: alprazolam (Frontal®), citalopram (Cipramil®), diazepam (Valium®, Dienpax®, Calmociteno®, Compaz®, Kiatrium®, Noan®, Somaplus®), bromazepam (Bromazepam BASF®,Lexotan®, Neurilan®, Novazepam®) clobazam (Frisium®, Urbanil®), clonazepam (Rivotril®), entre outros.
• Antipsicóticos: pessoas com transtornos psicóticos ficam “fora da realidade”; apresentam alucinações visuais e auditivas, ou acreditam que alguém pode escutar seus pensamentos. Medicamentos tradicionais como haloperidol (Haldol®, Haloperidof®)e a clorpromazina (Amplictil®) são úteis nesses transtornos, controlando os sintomas no paciente.
• Estabilizadores do humor: compreendem as drogas utilizadas para a manutenção da estabilidade do humor, não sendo essencialmente antidepressivas nem sedativas. A principal indicação para estabilizadores do humor são o transtorno bipolar e os episódios de mania (euforia) ou de hipomania. O lítio (Carbolitium®, Carbolim®, Litiocar®)a carbamazepina (Carbamazepina®, Tegretard®, Tegretol®), o ácido valpróico (Depakene®, Valpakine®)e o divalproato de sódio (Depakote®) são as substâncias mais utilizadas com essa finalidade.
As estratégias de intervenção terapêutica devem ser definidas pelos profissionais de saúde mental – médico psiquiatra e psicólogo, cada um dentro de sua área de atuação, devendo existir uma boa comunicação entre as experiências profissionais de cada um.

Deve-se ressaltar que somente o médico pode prescrever medicamentos, estando assim o paciente sujeito a uma avaliação psiquiátrica quando necessário.

Referências bibliográficas
http://www.nimh.nih.gov/publicat/medicate.cfm
Cordioli, Aristides Volpato (org.). Psicofármacos: consulta rápida. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

Lotufo Neto, Francisco; Araújo, Luiz Armando de. Psiquiatria e psicofarmacologia. Em: B. Rangé (org.), - Psicoterapia comportamental e cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas. Campinas: Editorial Psy, 1998.

Graeff, Frederico Guilherme; Brandão, Marcus Lira. Neurobiologia as doenças mentais. 4ª ed. São Paulo: Lemos Editorial, 1997.

Pontes, Cleto Brasileiro. Psiquiatria: conceitos e práticas. 2ª ed. São Paulo: Lemos Editorial, 1998.

6 http://www.psiqweb.med.br/farmaco/farmaco.html

Este texto foi produzido pela Plenamente.

2005-04-13 12:00:46

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