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A exposição de crianças à violência na TV pode desencadear comportamento agressivo em adultos

Pernalonga e Dirty Harry podem parecer inofensivos, mas são personagens de televisão como estes que aparecem justificando e recompensando seus atos de violência que podem ter um efeito negativo de longo prazo nas crianças, de acordo com a equipe de psicólogos da Universidade de Michigan.

O estudo publicado na Development Psychology (vol. 39, nº2) mostrou que quanto mais as crianças assistem programas violentos na televisão, particularmente aqueles que os personagens “bons” disseminam a violência, maior sua probabilidade de se comportar de forma violenta e agressiva no início da fase adulta.

“Não é sempre a violência mais sangrenta que gera o pior efeito nas crianças, mas também a violência “limpa”, vista como “positiva” ou “leve” e enquadrada como aquela em que os “fins justificam os meios”, diz L. Rowell Huesmann, Phd, professor de Psicologia da Universidade de Michigan, que conduziu o estudo com outros colegas.

Enquanto estudos passados mostraram que assistir frequentemente violência na mídia podia contribuir para comportamentos agressivos no curto prazo, o estudo citado mostra que seus efeitos podem ser vistos até quinze anos mais tarde. “Os seres humanos nasceram com uma capacidade inata de imitar. Logo, não me parece tão surpreendente que a violência assistida na infância seja codificada de tal forma a influenciar o comportamento 15, 30 ou talvez 40 anos mais tarde.”

Em 1977 pesquisadores avaliaram a percepção de 557 crianças entre 6 e 10 anos sobre os programas violentos de televisão. Quinze anos mais tarde, os pesquisadores continuaram as entrevistas com 329 dos participantes originais, então com 20 anos. Os resultados mostraram que aqueles que foram avaliados com comportamento violento e agressivo haviam quando crianças assistido frequentemente programas violentos, identificando-se com personagem de TV violentos e do mesmo sexo.

Dentre os homens que eram espectadores assíduos de violência na TV quando crianças, 42% afirmaram que haviam empurrado ou agarrado suas esposas pelo menos uma vez no último ano, comparados com 22% dos que não assistiam programas violentos. Aproximadamente 70% espectadores assíduos de programas violentos confessaram ter empurrado outra pessoa.

Os resultados foram similares para as mulheres. Aproximadamente 40% das espectadoras assíduas de programas violentos afirmaram ter arremessado algo em seus maridos, comparado com os 17% de mulheres que não haviam sido espectadoras assíduas quando crianças de programas violentas. O primeiro grupo das mulheres acabou agredindo outras pessoas quatro vezes mais do que o segundo.

O estudo encontrou, porém, que também há um efeito nas crianças em função dos comentários de outras pessoas. Por exemplo, se um pai manifesta sua opinião sobre um programa irreal, este terá menos impacto na criança, diz Huesmann.

Este texto foi traduzido e adaptado pela Plenamente do site: www.apa.org e o artigo original encontra-se publicado na revista Monitor on Psychology, vol.34,nº5, 2003.

2004-08-11 00:00:00

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