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O que são os transtornos alimentares.

Os Transtornos Alimentares são caracterizados por perturbações no comportamento alimentar, podendo levar ao emagrecimento extremo (caquexia – devido à inadequada redução da alimentação), à obesidade (devido à ingestão de grandes quantidades de comida) ou outros problemas físicos. Os principais tipos de Transtorno Alimentar são a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa e ambas têm como características comuns uma intensa preocupação com o peso e o medo excessivo de engordar, uma percepção distorcida da forma corporal e a auto-avaliação baseada no peso e na forma física. (1, 3, 10, 11)

Alguns autores caracterizam os Transtornos Alimentares como síndromes ligadas à cultura de determinadas sociedades. O que evidencia esta hipótese é o fato de que a Anorexia e a Bulimia têm uma prevalência maior entre mulheres jovens de países ocidentais, principalmente as que pertencem às camadas sociais mais privilegiadas. (3)

QUAIS SÃO AS CAUSAS?
A etiologia dos Transtornos Alimentares está associada principalmente ao aspecto sócio-cultural, embora não se deva descartar os fatores biológicos, psicológicos e familiares. (3, 10, 11)

A pressão cultural por se manter magro, seja apenas para atender a um padrão estético, ou pela exigência de certas profissões (moda, esportes), aliada à presença de baixa auto-estima, tornam o indivíduo mais propenso à desenvolver um quadro de Anorexia ou Bulimia. (10)

Quanto aos aspectos biológicos, sabe-se que o neurotransmissor chamado serotonina pode afetar o apetite, bem como o humor e o controle dos impulsos no indivíduo. Algumas pesquisas buscam investigar como os Transtornos Alimentares podem alterar os níveis de serotonina no cérebro e também a maneira que o sistema nervoso projeta informações para o corpo sobre a fome e a saciedade. Por exemplo, a maioria das mulheres apresenta melhora do humor e do sentimento de bem estar depois de comerem, entretanto, para as mulheres com anorexia, o não comer é que desencadeia a melhora do humor e do bem estar. (10)

TIPOS DE TRANSTORNO ALIMENTAR

ANOREXIA
Este quadro se caracteriza principalmente pela recusa do indivíduo em manter um peso mínimo esperado para a idade e a altura, através da restrição do comportamento alimentar. (1, 2, 4, 9, 10)

A perda do peso é obtida pela redução intensa da dieta alimentar pelo temor excessivo em ganhar peso e pela distorção da percepção da imagem corporal. Geralmente no início são restritos apenas os alimentos considerados calóricos, porém com o progresso da doença, observa-se uma dieta extremamente limitada. (1, 4)
O medo de engordar continua apesar da intensa perda de peso, podendo haver até um aumento dessa preocupação mesmo com a diminuição do peso real. (1, 4) Algumas pessoas acreditam estar acima do peso de uma forma geral, outras se preocupam com a gordura em partes específicas do corpo. Nesse sentido, é muito comum a pessoa se pesar com freqüência, medir obsessivamente as partes do corpo, ou usar insistentemente um espelho para verificar as áreas que percebe estarem gordas. (1, 4)

A auto-estima da pessoa anoréxica está relacionada à forma corporal e ao peso. Sendo assim, a perda de peso é vista como uma conquista e autodisciplina, enquanto o ganho de peso é considerado um fracasso do autocontrole. (1, 4,)

Apesar de alguns indivíduos reconhecerem que estão magros, eles desconsideram os problemas fisiológicos decorrentes da Anorexia Nervosa. (1, 4, 9) A amenorréia (ausência de pelo menos três ciclos menstruais) é um importante indicador fisiológico da Anorexia Nervosa. Em meninas pré-púberes a menarca pode ser retardada devido à doença. (1, 4, 11) O índice de mortalidade entre pessoas com a doença é 12 vezes maior do que o número de mortes causadas por todas as outras doenças na população feminina entre 15 e 24 anos de idade. (4, 10, 11)

BULIMIA
Este quadro de Transtorno Alimentar é caracterizado por compulsões alimentares periódicas (ingestão de uma grande quantidade de comida em um curto espaço de tempo), seguidas de métodos compensatórios inadequados (vômitos auto-induzidos, uso inadequado de laxantes ou diuréticos, prática de exercícios em excesso) para evitar o ganho de peso. Assim como na Anorexia Nervosa, o indivíduo bulímico apresenta uma auto-avaliação baseada na forma física e no peso corporal. (1, 2, 5,10, 11)

Para se estabelecer o diagnóstico de Bulimia Nervosa, estes comportamentos devem estar presentes por pelo menos duas vezes por semana, por um período mínimo de três meses. (1, 5)

As pessoas acometidas pela Bulimia Nervosa, ocultam seus comportamentos patológicos da família e das pessoas que as cercam, e muitas vezes se envergonham de seus atos compensatórios. (1, 5, 10, 11) Normalmente, não há perda de peso significativa nas pessoas com Bulimia, trazendo portanto, maior dificuldade para a família identificar o problema. (11)

Embora haja uma variedade dos tipos de alimentos ingeridos nos ataques de hiperfagia (compulsão alimentar), o mais comum é o consumo de doces ou outros alimentos de alto teor calórico. (1, 5)

Entre os problemas fisiológicos conseqüentes dos episódios bulímicos estão o desequilíbrio hidroeletrolítico, perda de potássio, inflamação do esôfago e danos no esmalte dos dentes. (10)

TRANSTORNO DO COMER COMPULSIVO
Os indivíduos com este Transtorno apresentam episódios de compulsão alimentar, porém, diferentemente da Bulimia Nervosa, não utilizam métodos purgativos para eliminar os alimentos ingeridos, nem a preocupação irracional com o peso e a forma corporal. (3, 9, 10, 11)

As pessoas com Transtorno do Comer Compulsivo perdem o controle durante os frequentes ataques de binge eating (comer compulsivo) e só conseguem parar de comer quando se sentem fisicamente desconfortáveis. (3, 9, 10, 11) A maioria é obesa e uma parcela significativa das pessoas que fazem controle alimentar e de peso com acompanhamento médico sofrem deste Transtorno. (3, 9)

Para ser estabelecido este diagnóstico, os ataques de comer compulsivamente devem ocorrer pelo menos duas vezes por semana, por um período mínimo de seis meses e obedecer aos seguintes critérios: (3, 11)
a) episódios repetidos de binge eating;
b) durante a ocorrência dos episódios, devem estar presentes no mínimo três dos indicadores abaixo:
- comer muito mais rápido que o normal;
- comer até sentir-se desconfortável fisicamente;
- ingerir grandes quantidades de comida, mesmo estando sem fome;
- comer sozinho por sentir-se envergonhado da quantidade de comida ingerida;
- sentir-se culpado e/ou deprimido após o episódio. *

* Esses sentimentos podem levar o indivíduo a apresentar novos episódios de binge eating, formando-se assim um ciclo.

VIGOREXIA
Apesar de não estar caracterizado estritamente como um quadro de Transtorno Alimentar, mas como uma patologia obsessivo-compulsiva, a Vigorexia se caracteriza pela obsessão por músculos, pela compulsão aos exercícios e pelo consumo de substâncias que prometem o aumento da massa muscular (como anabolizantes). Assim como as pessoas que têm Anorexia ou Bulimia, os portadores da Vigorexia apresentam uma percepção distorcida da imagem corporal. (6)

TRATAMENTO
O tratamento dos Transtornos Alimentares buscam restaurar o comportamento alimentar adequado e restabelecer o peso considerado normal para a idade e a altura do indivíduo. O objetivo do tratamento é tirar o indivíduo do perigo de morte que a gravidade dos sintomas pode gerar. (9, 10, 11)

Por serem quadros de extrema complexidade, os Transtornos Alimentares requerem um tratamento realizado por equipe multiprofissional, com psicólogo, nutricionista, médico endocrinologista e médico psiquiatra. (10, 11)

Em relação ao restabelecimento da saúde mental, o psiquiatra e o psicólogo são os profissionais melhor preparados para fazerem uma avaliação e traçar estratégias para a melhora do sintomas. O trabalho do psicólogo visa as relações do indivíduo, a recuperação da auto-estima e o lançamento de estratégias para desenvolver habilidades para melhor lidar com o estresse e as dificuldades cotidianas. O psiquiatria poderá medicar o paciente com antidepressivos, a fim de recuperar o humor e a sensação de bem-estar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – 4º edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. 845 p.
2. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. 351 p.
3. http://www.psiqweb.med.br/alimentar.html
4. http://www.psiqweb.med.br/anorexia.html
5. http://www.psiqweb.med.br/bulimia.html
6. http://sites.uol.com.br/gballone/alimentar/vigorexia.html
7. http://www.anred.com/pica.html
8. http://www.psiqweb.med.br/infantil/obesid2.html
9.http://www.inef.com.br/transtornos_alimentares.htm
10. http://www.4woman.gov/faq/eatingdi.htm
11. http://www.nimh.nih.gov/publicat/eatingdisorder.cfm

Este texto foi produzido pela equipe da Plenamente com a participação da psicóloga Selma Boer.
 

2003-07-10 00:00:00

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