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Ter os dois genitores com depressão não representa risco duplicado para os filhos

Filhos de pais que experimentaram uma forte depressão podem sofrer do mesmo problema alguma vez no futuro. Entretanto, ter dois pais ao invés de um com histórico de Depressão Maior parece não aumentar o risco, revelou o estudo conduzido por Rosalind Lieb, Ph.D., e colegas do Max Planck Institute of Psychiatry, em Munique, Alemanha.

Este estudo foi baseado em uma pesquisa com 2400 adolescentes de 14 a 24 anos. Metade desses jovens tinham um ou mais progenitores com histórico de Depressão Maior registrada em algum momento de suas vidas, a outra metade não. As informações sobre diagnóstico de depressão dos pais foram obtidas tanto através dos pais, quanto dos jovens participantes do estudo.

Os sujeitos foram avaliados prospectivamente sobre a presença de transtornos mentais no começo do estudo e outras duas vezes durante um período de quatro anos. Os diagnósticos foram baseados no DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais) com informações obtidas a partir da entrevista diagnóstica, denominada Munich-Composite International Diagnostic Interview, uma versão atualizada do World Health Organization’s Composite International Diagnostic Interview.

Lieb e seus colegas utilizaram os dados sobre os jovens e seus pais para verificar se ter um ou mais pais com história de Depressão Maior poderia influenciar o futuro da saúde mental das crianças. Os autores concluíram que há um aumento no risco dos jovens apresentarem depressão mais tarde em suas vidas. Essa descoberta foi consistente com a maioria dos estudos anteriores publicados por outros pesquisadores.

Além disso, concluíram que os jovens que mais tarde desenvolveram Depressão Maior e que tinham tido pais com histórico de Depressão Maior, tenderam a experenciar um curso mais maligno do que aqueles que entraram em depressão mas não tinham pais com esse histórico. Essa descoberta foi consistente com estudos clínicos que ligavam depressão dos pais com doenças mais severas.

Entretanto, ter os dois genitores ao invés de um deles com histórico de Depressão Maior não aumentou o risco dos jovens de desenvolver o mesmo quadro. A descoberta de Lieb e sua equipe sugere que a transmissão familiar da Depressão Maior não segue padrões genético simples. Assim, ter ou a mãe ou o pai deprimidos parece impor um risco semelhante de depressão nos sujeitos. Este resultado está de acordo com estudos genéticos familiares que não encontraram especificidade de sexo em relação a transmissão familiar de risco de Depressão Maior.

Outra hipótese levantada pelos pesquisadores foi se ter pais com risco de Depressão Maior também aumenta o risco do jovem desenvolver um outro transtorno mental que não a Depressão Maior. A resposta é afirmativa, Lieb e sua equipe determinaram que filhos com histórico de Depressão Maior quando comparado com filhos de pais sem depressão, tiveram maior chance de experenciar Transtorno de Ansiedade, Transtorno Bipolar, ou Transtorno de Streess Pós-Traumáutico, além do abuso de substâncias.

Os pesquisadores concluíram que associações entre transtornos mentais, por exemplo, depressão dos pais com depressão nos filhos, foram, na maioria dos casos, consideravelmente maiores do que associações de transtornos cruzados, como depressões dos pais com Transtorno de Ansiedade nos filhos. Estas descobertas também merecem atenção, pois há maior risco de dependência de nicotina nos filhos de pais deprimidos, resultado especialmente interessante e que ainda não havia sido divulgado anteriormente.

Este texto foi traduzido e adaptado pela Plenamente do site: www.pn.psychiatryonline.org

2003-05-09 00:00:00

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