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Ansiedade e o uso problemático da internet. Antônio Fontes P. Novaes, Maria Alice Fontes


A Internet se tornou uma ferramenta indispensável para o convívio social e seu uso vai desde a troca de mensagens, estabelecimento de relações até o acesso a informações sobre quaisquer acontecimentos por toda parte do mundo. Por outro lado, o uso excessivo desta poderosa rede pode trazer malefícios para a saúde física e mental, como problemas de ansiedade, depressão, transtornos alimentares e muitos outros.

Adicção por internet, dependência, uso patológico, vício ou uso problemático são termos utilizados como sinônimos na literatura para nomear o acesso descontrolado. Esse transtorno é descrito como um gasto de tempo excessivo na web com preocupação intensa e dificuldade para manejar esse tempo. Observa-se ainda a presença de irritabilidade quando interrompido da conexão, diminuição dos relacionamentos sociais e a tendência a considerar o mundo fora das telas desinteressante.

A problemática com o uso da internet está associada ao comportamento de dependência, sendo mais suscetível em indivíduos que buscam estimulação externa e expressam mais intolerância ao tédio. Alguns pesquisadores por exemplo consideram essa dependência um transtorno de controle dos impulsos que afeta diretamente a qualidade de vida, causando consequências nas relações sociais, intolerância e sintomas de abstinência.

Enquanto o tempo gasto online torna-se progressivo, o bem-estar psicológico de alguns usuários da internet está sendo prejudicado. Estudos mostram que além da problemática relacionada ao uso excessivo da rede, a presença de sintomas tanto ansiosos quanto depressivos pode ser gerada pelo mau uso da internet e/ou redes sociais, ou eventualmente os sintomas já estão presentes e o uso desta representa somente um mecanismo de compensação e escape. Isto significa que a ansiedade pode ser gerada pelo excesso de uso ou eventualmente ser anterior e o uso piorar ainda mais a dependência dos aparelhos.

Diversos são os efeitos relacionados ao uso excessivo, como alterações na qualidade do sono, má nutrição, baixa atividade física, menor desempenho acadêmico ou profissional e prejuízo nos relacionamentos interpessoais. Além disso, diversas pesquisas relacionam o abuso da internet aos transtornos de humor, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno de uso de substâncias, ansiedade, ansiedade social, solidão, baixa autoestima, menores níveis de atividade física, hostilidade e comportamentos agressivos.

O impulso de permanecer constantemente conectado e com a sensação de que está perdendo algo importante ao se desconectar pode gerar também muita ansiedade. Dessa forma, o comportamento de verificar constantemente as notificações das redes sociais reforça uma sensação de segurança com os amigos e parceiros, chamada de “busca de reafirmação" relacionada com o medo da perda. Reforçando tais resultados, as pesquisas mostram que as pessoas que conseguem controlar a urgência de checagem das redes sociais, esperando o melhor momento para responder às notificações de mensagens, são aqueles com sintomas mínimos ou sem sintomas de ansiedade e depressão.

Após muitas pesquisas a respeito das consequências do uso exagerado de internet e redes sociais, um novo distúrbio clínico está sendo estudado. Ele foi denominado de nomofobia e é caracterizado pelo sentimento de desconforto ou ansiedade experimentado por indivíduos que não conseguem usar o celular ou as conveniências que esses dispositivos fornecem. A nomofobia é caracterizada por quatro importantes fatores: o medo de não ser capaz de se comunicar; medo de perder a conexão com pessoas próximas, medo de não conseguir acessar informações importantes e por fim de abrir mão da conveniência do celular.

Uma escala simples, criada por Adam Alter e apresentada em seu livro “Irresistible” para classificar se o uso excessivo do celular pode ser considerado um vício, consiste em 5 perguntas com respostas que variam de 0 até 5, e que pode nos ajudar a identificar este problema.

Escala de avaliação: 0 pontos = Nunca / 1 ponto = Raramente / 2 pontos = Ocasionalmente / 3 pontos = Frequentemente / 4 pontos = Muito Frequentemente / 5 pontos = Sempre

As perguntas são:

1) O quão frequente você se encontra navegando na internet por mais tempo do que você tinha planejado fazer? __

2) O quão frequente os outros na sua vida reclamam sobre o tempo em que você passa online? __

3) O quão frequente você checa suas redes sociais e mensagens antes de fazer outra atividade que era mais importante ser realizada? __

4) O quão frequente você perde o sono por causa do uso de celular antes de dormir e acaba se atrapalhando no dia seguinte para acordar? __

5) O quão frequente você se pega mexendo no celular sem nem saber o porque e diz para você mesmo que irá parar em alguns minutos? __

Segundo Adam se a soma dos pontos que você obteve foi abaixo de 7, não há sinais de vício por internet. A soma entre 8-12 pontos indicam um leve vício, ou seja, você pode ficar muito tempo na internet de vez em quando, porém de uma maneira geral você está com controle do seu uso. Totais entre 13-20 pontos indicam traços de vício moderado, o que implica que sua relação com a Internet tem causado problemas ocasionais e não tão severos. Já uma pontuação entre 21 e 25 demonstra que você tem um vício acentuado em internet e que isto está causando problemas significantes em sua vida.

Muitas coisas podem ser feitas para que um uso descontrolado da rede se transforme em um uso saudável. Primeiramente é necessário ter consciência sobre o seu uso e perceber que os aparelhos eletrônicos podem estar lhe causando mal, especialmente relacionado ao aumento da ansiedade e procrastinação.

Algumas possíveis sugestões para diminuir a quantidade de horas na frente das telas é a busca por alternativas para os momentos de prazer proporcionados pelo celular. O esforço para participar de momentos nos quais existem interações sociais pode ser um bom começo, como conversar com pessoas que moram junto com você, marcar de encontrar com um amigo, ou praticar atividades esportivas que ajudam muito o corpo e a mente com a liberação de endorfina. Outra sugestão é fazer acordos com a família sobre ter momentos sem telas, por exemplo nas refeições. Lembrando que não é necessário mudanças drásticas na rotina, mas sim uma adaptação gradual.

Todos nós temos a capacidade de controlar o uso, tornando-o mais prazeroso e menos danoso para nossa psique, mas para isso precisamos estar absolutamente conscientes de nossas responsabilidades, focando sempre em realizar as atividades mais importantes primeiro para depois utilizar os dispositivos nos tempos livres. Além disto, aumentar a quantidade de tempo que gastamos em relacionamentos pessoais e diminuir a busca de gratificação imediata exclusivamente através dos celulares.

Para mais sugestões leia o artigo: http://plenamente.com.br/artigo.php?FhIdArtigo=239

 


Bibliografia:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400497&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

https://www.academia.edu/37687360/Addicted_to_cellphones_exploring_the_psychometric_properties_between_the_nomophobia_questionnaire_and_obsessiveness_in_college_students?email_work_card=view-paper

ALTER, Adam. Irresistible: the rise of the addictive technology and the business of keeping us hooked. USA: Penguin Press, 2017.


 

2020-02-13 00:00:00

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