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A RAZÃO REVELADORA DO PORQUÊ VOCÊ SURTA COM SEUS FILHOS. Fernanda Lee, Maria Alice Fontes


Noites mal dormidas, birras incessantes, mentiras descaradas, teimosia intensa e pirraças agudas são motivos comuns que fazem qualquer pai ou mãe perder a paciência. As crianças gritam de um lado e os adultos surtam de outro. E se com um filho já é difícil, imagine quando uma casa tem três deles. Manter a calma em situações desafiadoras é uma habilidade que deve ser aprendida antes de ser ensinada.

Desde o momento do nascimento, os bebês estão tomando decisões. Claro que nesse momento, ainda são decisões inconscientes. Os bebês decidem sobre eles mesmos (“Sou capaz ou incapaz?”, “O que devo fazer para sobreviver e prosperar”). Decidem sobre os adultos a sua volta (“Os adultos são confiáveis ou não?”).

Quando as crianças se sentem capazes e desenvolvem uma crença de que são aceitas pelos adultos a sua volta, elas estão prosperando. Porém, quando as crianças se sentem incapazes e desconectadas dos adultos, elas comunicam essas crenças através do mau comportamento. E dependendo da reação do adulto em relação ao mau comportamento, a crença da criança de que ela não pertence, é mais uma vez validada.

Quando essas crianças se tornam adultos e têm os seus próprios filhos, esses bebês se tornam gatilhos emocionais instantâneos. Queremos deixar claro que não é o que a criança faz que causa o pai/mãe surtar, mas sim os desafios da infância que esse adulto passou e que não foram bem elaborados ou compreendidos.

A razão reveladora do porquê os pais surtam com seus filhos é a própria vulnerabilidade dos pais em relação a certas emoções e medos que desenvolveram na infância deles, e do que foi interpretado individualmente e pessoalmente por cada um deles quando eram crianças. De fato, a ciência hoje nos diz que nos 3 primeiros anos de vida, desenvolvemos uma planta arquitetônica emocional na qual erguermos alicerces para o resto da vida. Desenvolvemos estratégias para nos proteger emocionalmente dos sentimentos de inadequação e medo, e outras estratégias para procurar atender a necessidade inata de pertencer e contribuir em nosso meio social, seja em casa, no trabalho ou com amigos. Portanto, hoje somos adultos vivendo numa “casa” que foi desenvolvida por nós mesmos quando tínhamos 3 anos de idade. Isso é muito revelador!

Por exemplo, uma criança que não faz a lição de casa em uma família, pode se tornar o gatilho para um pai que sempre se sentiu incompetente, mas neste caso afeta seu papel de ensinar responsabilidade e comprometimento ao seu filho. Isso pode levar o pai a surtar para “ensinar ao filho” que para ter sucesso na vida a lição deve ser feita a qualquer custo, até mesmo através de ameaças. Assim, o medo do pai de se sentir incompetente inconscientemente ativa o cérebro para reagir e fazer aquele mau comportamento do filho parar, custe o que custar.

Em uma outra família, uma criança que não faz a lição de casa, pode se tornar o gatilho para uma mãe que se sente inadequada, e que neste momento sente isso em relação ao seu emprego. Isso pode levar a mãe a surtar para “ensinar ao filho” que para ser feliz na vida a lição de casa deve ser feita a qualquer custo, até mesmo através da força física. Assim, o medo da mãe de se sentir inadequada ativa o cérebro para reagir e fazer aquele mau comportamento do filho parar, custe o que custar.

Nestes exemplos, nem o pai e nem a mãe são pessoas más. Não estamos julgando ninguém. Apenas queremos trazer para a luz da consciência o que os outros fazem (principalmente os nossos filhos!) despertam em nós os nossos próprios medos e crenças antigas. Como só podemos mudar o que temos consciência, nossa tolerância ao medo vai aumentando a medida que observamos quais as situações ou comportamentos nos fazem surtar. Além de nos conscientizar, precisamos aprender a aumentar o nosso tempo de resposta. Em vez de reagir imediatamente, podemos aprender a reconhecer os sinais instintivos em nosso corpo, a respirar profundamente e a responder com firmeza e gentileza ao mesmo tempo, levando em consideração a criança e o momento presente.

Encorajamos vocês a fazerem uma autorreflexão respondendo às seguintes perguntas:

Qual é o temperamento do seu filho? E qual é o seu? (O livro “Disciplina Positiva para crianças de 0-3 anos” traz um capítulo dedicado ao estudo do temperamento. Mesmo que o livro seja dedicado aos pais de bebês e crianças pequenas, o temperamento é uma combinação de características inatas que permanece por toda a vida).
Quando você surta com seu filho, você tem consciência de qual é o verdadeiro problema?
Quais características e qualidades de vida você modela para seu filho quando você surta?
Quais habilidades estão faltando no seu filho para ajuda-lo naquele momento (levando em consideração a faixa de desenvolvimento dele) e que ferramentas poderiam ser ensinadas para ajudá-lo a se sentir capaz?

O que você faz regulamente para cuidar de si mesmo?

Fontes:

Nelsen, Jane; Erwin, Cheryl; e Duffy, Roslyn. Disciplina Positiva para crianças de 0 a 3 anos: como criar filhos confiantes e capazes. Barueri: SP: Manoel, 2018. 

2018-09-03 00:00:00

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