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5 FRASES PARA EVITAR DIZER PARA SEUS FILHOS. Fernanda Lee, Maria Alice Fontes


A maneira de nos comunicarmos com as crianças está mudando, e cada vez mais encontramos pais que buscam tratar seus filhos com respeito. Quando você era criança talvez tenha escutado frases que hoje não se usam mais, como por exemplo: “Espere até seu pai chegar em casa”; “Você vai ficar olhando para a parede até aprender” ou “Eu vou contar até três”. Se você quer que seus filhos desenvolvam autonomia, pensamento crítico e sejam confiantes, será que está contribuindo para isso realmente acontecer?

Os relacionamentos estão ficando menos verticais dentro de casa.

O psiquiatra humanista, Rudolf Dreikurs, uma vez disse: “Quando o pai perdeu o controle sob a mãe, ambos perderam o controle sob os filhos.” Hoje em dia é menos comum a mulher se submeter ao homem, e adivinha quem está observando a dinâmica dentro de casa? As crianças!

Isso pode gerar uma sensação de falta de hierarquia em casa, e para recuperar a autoridade, os pais, às vezes, acabam apelando por dizer coisas inadequadas na tentativa de estimular autonomia, independência e autoestima nos filhos. Foque em usar frases que estimulem características e habilidades de vida para serem desenvolvidas em longo prazo, em vez de frases que satisfazem o seu ego no momento e submetem à sua obediência por meio do medo. Foque em ajudar as crianças a refletirem na experiência e no momento em que estão passando.

5 frases que podem prejudicar o desenvolvimento das crianças:

1 “Bom menino!”
Na tentativa de estimular a autoestima, rotulamos a criança em ser boazinha. Porém só a chamamos de boazinha quando a criança está fazendo algo que nos agrada. Mas, e quando a criança faz algo que não lhe agrada? Então, ela é uma criança má? Claro que não! Evite rótulos e perfeição. As crianças aprendem sobre si e sobre o mundo à sua volta ao vivenciar coisas novas e testar o ambiente e as pessoas.

Em vez valorizar a obediência, foque em desenvolver cooperação por meio dos esforços da criança em aprender algo novo e nos aspectos específicos das suas descobertas que ajudam os outros: “Obrigada por colocar o seu sapato sozinho e ficar pronto para sair no horário”; “Obrigada por compartilhar um pedaço do seu bolo comigo.” Frases determinantes como “Bom trabalho” e “Parabéns” (quando nem é o aniversário da criança) pode levar à crença de que habilidades estão relacionadas ao talento, em vez do esforço, e isso pode causar a reação de que elas já atingiram o seu limite máximo. Estimule a exploração da criança em fazer coisas diferentes colocando o foco no esforço: “Você parece determinado em montar uma torre com os blocos” ou “Obrigada por esperar na fila comigo e encontrar uma maneira de se distrair enquanto esperamos”. Crianças que desenvolvem a crença de que habilidades se desenvolvem através do esforço vão enfrentar desafios de uma maneira mais confiante e resiliente.

2 “Estou de dieta.”
Se você quer perder alguns quilos e sobe na balança o tempo todo, se chamando de ‘gorda’ na frente do seu filho, é muito provável que esteja passando uma ideia equivocada sobre imagem corporal para eles. Estar no seu peso ideal é o resultado de um hábito saudável de exercícios e alimentação. Quando o adulto tenta se encaixar num modelo de beleza e padrão corporal que vê na mídia, ele transmite para a criança o que deve ser valorizado. Em uma pesquisa realizada por uma organização australiana sem fins lucrativos, 34% das meninas de 5 anos pretendem fazer dieta, e 38% das meninas de 4 anos estão insatisfeitas com seus corpos.

Use frases que refletem o seu principal objetivo: “Estou comendo comidas saudáveis porque eu gosto da maneira como me sinto”, “Faço yoga para o bem do meu corpo e minha mente.” Além disso, você pode verbalizar outros atributos da criança, como por exemplo as suas qualidades e atitudes além dos aspectos físicos. Verbalize as pessoas têm vários tipos e tamanhos, e que a ela é aceita independente do peso que tem.

3 “Não precisa chorar.”
Chorar é normal e necessário. Quando seu filho está com medo ou machucado, queremos ajudar minimizando o evento dizendo que não foi nada. Mas para o seu filho, o medo é real e a dor intensa. Chorar ajuda a regular as emoções e a reduzir o próprio estresse. Laan, 2012 explica que o choro é principalmente um comportamento de apego seguro, pois chama a atenção das pessoas ao seu redor. Isso é conhecido como um benefício interpessoal ou social.

Em vez de interromper o choro, tente dar um abraço, narrar o que está passando (sem julgamentos, apenas descreva os fatos) e reconhecer a emoção da criança: “Esta dor de barriga está te deixando muito incomodado” ou “Você estava andando pela calçada, tropeçou na pedra, caiu no chão e raspou o cotovelo. Você deve ter ficado assustado quando caiu de surpresa. Daí, você chorou e eu vim aqui te acolher.”

4 “Cuidado!”
Falar para seu filho tomar cuidado quando ele está escalando o brinquedão no parque transmite o medo de algum perigo desconhecido. Aponte ou verbalize o que exatamente você gostaria que ele tivesse cautela ou prestasse mais atenção: “Se as mãos escorregarem, caia de pé no chão” ou “Olhe para o chão, antes de soltar as mãos da barra”. Ao ser específico, você aponta onde pode estar o risco de se machucar e ensina habilidades para que ele reconheça potenciais riscos também.

5 “Anda mais rápido!”
Falar para a criança andar mais rápido, significa que ela tem que quase correr para acompanhar os seus passos largos, dados por suas pernas compridas. E se você se refere à se apressar porque ela está sempre te fazendo sair atrasado, isso pode acarretar outros problemas de comportamentos. A criança pode se rebelar e, propositalmente, ir mais devagar só para te provocar, ou ir mais rápido só para te agradar, o que não contribui para a autoestima dela.

Em vez de apressar a criança, seja andando ou se aprontando para sair no horário, adote uma atitude que respeite o tempo dela em fazer as coisas, que naturalmente é mais lento do que o seu tempo. Comece a se aprontar 10 minutos mais cedo, para dar tempo das crianças de fazerem as coisas sozinhas (com o seu apoio, mas sem a sua ajuda), amarrar o próprio sapato, escolher um brinquedo para levar, pegar a mochila ou usar o banheiro antes de sair. Tente aproveitar a vida pelo olhar da criança, que se maravilha com tantas coisas ordinárias e mundanas. As crianças podem nos ensinar a aproveitar mais o momento presente, e a ter mais gratidão pelo que nos rodeia.

Divirta-se com seus filhos!

Bibliografia:

Nelsen, Jane. Disciplina Positiva. Editora Manole, 2015.
Dweck, Carol. Mindest: The new psychology of success. Ballantine Books, 2016.
Pretty Foundation. https://prettyfoundation.org/why-pretty/
Laan, Anja J. et al. Individual Differences in Adult Crying: The Role of Attachment Styles. Volume 40, Number 3, 2012, pp. 453-471(19)
https://www.ingentaconnect.com/content/sbp/sbp/2012/00000040/00000003/art00011

2019-08-10 00:00:00

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