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Prevenção do suicídio: quais são os sinais de alerta. Maria Alice Fontes, Andreza Robusti


O suicídio em si não é um distúrbio mental, mas uma das causas mais importantes de suicídio é a doença mental, com problemas tais como: Depressão, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia e Transtornos por Uso de Substâncias, Transtorno de Personalidade Bipolar, entre outros.

Anualmente, mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio e, a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20 atentam contra a própria vida. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, sendo a segunda principal causa de morte dos jovens entre 15 e 29 anos.

No Brasil, segundo pesquisa da Unifesp, que utilizou dados do SUS e IBGE o índice aumentou 24% entre 2006 e 2015. De acordo com o estudo, a taxa entre os jovens aumentou principalmente nas seis maiores cidades brasileiras: Belo Horizonte: 3,13 para cada 100 mil habitantes, Porto Alegre 2,93 para cada 100 mil, São Paulo 2,44, Rio de Janeiro 1,52, Recife 1,23 e Salvador 0,23 para cada 100 mil pessoas.

O psiquiatra Jair de Jesus Mari, um dos autores do estudo, aponta a internet e as redes sociais devido ao aumento da exposição ao ciberbullying e o compartilhamento de comportamentos disfuncionais como um dos principais riscos para o suicido de adolescentes. O estudo também relaciona o aumento do índice com as mudanças socioeconômicas.

A pesquisa indica que a chance de um adolescente do sexo masculino tirar a própria vida é até três vezes maior do que uma adolescente mulher. Até 13 anos de idade, as taxas são iguais. A partir daí, começa a diferenciação. As garotas tentam se matar mais, mas as tentativas dos meninos são mais letais. Segundo Jair Mari os meninos têm menos habilidade em lidar com o sofrimento emocional causado pela depressão e eles tendem a ser mais impulsivos e expostos ao uso de álcool e drogas.

Quais são os sinais de alerta para o suicídio?

  • Tristeza excessiva ou mau humor: tristeza duradoura, mudanças de humor e raiva inesperada;
  • Desesperança: sentir um profundo sentimento de desesperança em relação ao futuro, com pouca expectativa de que as circunstâncias possam melhorar;
  • Problemas com o sono;
  • Tranquilidade repentina: tornar-se subitamente calmo após um período de depressão ou mau humor pode ser um sinal de que a pessoa tomou a decisão de encerrar sua vida;
  • Isolamento: escolher ficar sozinho e evitar amigos ou atividades sociais também são possíveis sintomas de depressão, uma das principais causas de suicídio. Isso inclui a perda de interesse ou prazer nas atividades que a pessoa desfrutou anteriormente;
  • Mudanças na personalidade ou aparência: uma pessoa que está considerando se suicidar pode exibir uma mudança de atitude ou comportamento, como falar ou se mover com velocidade ou lentidão incomuns. Além disso, a pessoa pode repentinamente ficar menos preocupada com sua aparência pessoal;
  • Comportamento perigoso ou prejudicial: comportamentos potencialmente perigosos, como dirigir de forma imprudente, praticar sexo inseguro e aumentar o uso de drogas e/ou álcool podem indicar que a pessoa não valoriza mais sua vida;
  • Trauma recente ou crise da vida: uma crise importante na vida pode desencadear pensamentos suicidas. As crises incluem a morte de um ente querido ou animal de estimação, o divórcio ou o rompimento de um relacionamento, o diagnóstico de uma doença grave, a perda de um emprego ou problemas financeiros sérios;
  • Fazendo os preparativos: Muitas vezes, uma pessoa que pensa em suicídio começa a colocar seus negócios pessoais em ordem. Isso pode incluir visitar amigos e familiares, doar objetos pessoais, fazer um testamento e limpar seu quarto ou casa. Algumas pessoas escreverão uma nota antes de cometer suicídio. Alguns vão comprar uma arma de fogo ou outros meios como veneno;
  • Ameaça ao suicídio: 50% a 75% daqueles que cometem suicídio dão a alguém, um amigo ou parente, um sinal de alerta. No entanto, nem todo mundo que está pensando em suicídio o diz, e nem todos que ameaçam o suicídio o seguem. Toda ameaça de suicídio deve ser levada a sério.


Quais são algumas informações importantes sobre o suicídio?

Em geral as pessoas que cometem suicídio não querem objetivamente morrer, mas podem estar buscando acabar com a dor que sentem dentro de si.
Nunca descarte uma conversa aberta sobre suicídio, quando alguém fala sobre o assunto. Se você notar algum sinal de que eles podem estar pensando em se machucar, procure ajuda de um profissional de saúde mental;

Algumas pessoas falam abertamente sobre querer morrer ou se suicidar. Ou eles se debruçam sobre o tema da morte e do morrer. Eles podem pesquisar maneiras de se matar ou comprar uma arma, faca ou pílula.

Quais são as pessoas que tem maiores risco de cometer suicídio?

Os homens brancos com mais de 65 anos têm a maior taxa de suicídio. As taxas de suicídio são mais altas também entre os adolescentes, adultos jovens e idosos.

Observa-se risco de suicídio nos seguintes grupos:
• Idosos que perderam um cônjuge por morte ou divórcio
• Pessoas que tentaram suicídio no passado
• Pessoas com histórico familiar de suicídio
• Pessoas com um amigo ou colega de trabalho que cometeu suicídio
• Pessoas com histórico de abuso físico, emocional ou sexual
• Pessoas solteiras, não qualificadas ou desempregadas
• Pessoas com dor prolongada ou doença terminal ou incapacitante
• Pessoas propensas a comportamentos violentos ou impulsivos
• Pessoas que foram liberadas recentemente de uma hospitalização psiquiátrica
• Pessoas em determinadas profissões, como policiais e profissionais de saúde que trabalham com pacientes terminais
• Pessoas com problemas de abuso de substâncias

O suicídio pode ser evitado?

O suicídio não pode ser prevenido com total segurança, mas os riscos podem ser reduzidos com intervenção adequada. A melhor maneira de prevenir o suicídio é conhecer os fatores de risco, estar alerta aos sinais de depressão e outros transtornos mentais, reconhecer os sinais de alerta do suicídio e intervir antes que a pessoa possa concluir o processo de autodestruição.

O que devo fazer se conhecer alguém que tenha risco de ser um suicida?

As pessoas que recebem apoio de amigos e familiares atenciosos e que têm acesso aos serviços de saúde mental têm menos probabilidade de agir com base em seus impulsos suicidas do que aquelas que são socialmente isoladas. Se alguém que você conhece está exibindo sinais de alerta para suicídio:

Não tenha medo de perguntar se ele está deprimido ou pensando em suicídio. Pergunte se ele ou ela está fazendo psicoterapia ou tomando medicação. Em vez de tentar convencer a pessoa a não se suicidar, informe-a de que a depressão é temporária e tratável.

Em alguns casos, a pessoa só precisa saber que alguém se importa com ela e está procurando a chance de falar sobre seus sentimentos. Você pode incentivar a pessoa a procurar ajuda.

O que devo fazer seu perceber que alguém está em risco imediato de se matar?

Siga os 4 passos a seguir:

CONVERSE: encontre um momento apropriado e um local para conversar. Ouça a pessoa com a mente aberta e tente validar os sentimentos para conseguir uma conexão;

ACOMPANHE: não deixe a pessoa sozinha. Tente acompanhar como a pessoa está sentido e o que está fazendo. Se possível, peça ajuda a amigos ou outros membros da família;

BUSQUE AJUDA PROFISSIONAL: incentive a pessoa a conversar com um profissional de saúde mental o mais rápido possível. Se a pessoa já estiver em tratamento psiquiátrico, ajude-a a entrar em contato com o médico ou terapeuta para obter orientação e ajuda;

PROTEJA: se perceber risco iminente, não deixa a pessoa sozinha. Tire ou remova qualquer objeto que a pessoa possa usar para se machucar.

Onde buscar ajuda para prevenir o suicídio?

CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).
UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais
Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita)
Centro de Valorização da Vida – CVV

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias.

 


BIbliografia


Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde Volume 48 N° 30 - 2017
 
Organização Mundial de Saúde. CID-10: tradução Centro Colaborador da OMS para a classificação de doenças em português. 10. ed. rev. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; 2009.
 
Santos SA, Legay LF, Aguiar FP, Lovisi GM, Abelha L, Oliveira SP. Tentativas e suicídios por intoxicação exógena no Rio de Janeiro, Brasil: análise das informações através do linkage probabilístico. Cad Saúde Pública. 2014 mai; 30(5):1057-66. 
 
Rockett IRH, Hobbs G, De Leo D, Stack S, Frost JL, Ducatman AM, Kapusta ND, Walker RL. Suicide and unintentional poisoning mortality trends in the United States, 1987-2006: two unrelated phenomena? BMC Public Health. 2010;10:705. 
 
Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde. Viva: instrutivo notificação de violência interpessoal e autoprovocada [Internet]. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2016 [citado 2017 set 19]. 92 p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov. br/bvs/publicacoes/viva_instrutivo_violencia_ interpessoal_autoprovocada_2ed.pdf  
 
 
CVV.org.br
 


A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.
 

2019-09-04 00:00:00

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