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As lesões cerebrais podem causar diferentes tipos de problemas atencionais?

Existem pelo menos três partes distintas da região frontal do cérebro relacionadas às funções atencionais, diz Donald T. Stuss, PhD e seus colegas, no artigo publicado em Outubro de 2002 no periódico Neuropsychology (Vol. 16, nº. 4). Michael P. Alexander, MD, Malcolm A. Binns e Kelly J. Murphy, PhD, investigaram como os estímulos distratores afetavam o tempo de reação. Foram estudados 48 indivíduos, sendo 25 com lesões cerebrais em regiões específicas do lobo frontal, 11 com lesões fora do lobo frontal e 12 normais, sem lesões no cérebro.

Numa série de tarefas complexas, cada participante era solicitado a pressionar um botão com a mão dominante quando aparecia uma forma geométrica previamente determinada (alvo), que piscava na tela do computador. Quando qualquer outra forma aparecia o indivíduo deveria pressionar outro botão com a mão não dominante.

Pela medida do tempo de reação (tempo em segundos para pressionar o botão) e da quantidade de erros na tarefa, os pesquisadores concluíram que das quatro áreas cerebrais estudadas, três delas afetavam a performance dos pacientes de diferentes maneiras:

? Os pacientes que tinham lesões frontal superior medial eram mais lentos na resposta `as formas geométricas do que os outros grupos. Este achado sugere que esta área está envolvida na prontidão de resposta dos indivíduos.

? Pacientes com lesões dorso lateral esquerda tiveram significativamente mais erros falso positivos que os controles. Em outras palavras, tiveram uma tendência a julgar outras formas geométricas como respostas corretas, mas dificilmente perdiam a resposta por algum fator distrator. Os autores sugerem que esta região dorso lateral esquerda deva ser responsável pelo estabelecimento de uma espécie de gatilho para responder a um determinado estímulo. Como o grupo estudado tinha lesão nesta área, o seu gatilho de resposta não era perfeitamente correto, assim os erros foram significativamente maiores que nos outros grupos.

? Pacientes com lesões dorso lateral direita tiveram significativamente mais erros de resposta, tanto nas formas geométricas previamente especificadas (alvos) quanto nas distratoras. Estes pacientes tiveram dificuldades em decidir qual forma geométrica era o alvo selecionado, e também em filtrar os fatores distratores, ou seja, decidir quais eram os estímulos relevantes.

? Os pacientes com lesões frontal medial inferior tiveram performance muito semelhante ao grupo controle em todas as tarefas, sugerindo que esta área não está envolvida diretamente nas habilidades atencionais estudadas.

Dr. Stuss salienta que se costuma falar do lobo frontal como um sistema funcional genérico, mas esta pesquisa mostra que "o sistema é extremamente complexo, feito de múltiplas funções e processos, relacionados a diferentes regiões frontais do cérebro, que contribuem de maneira distinta mesmo em tarefas simples como as que foram estudadas aqui".

Pesquisadores do Baycrest Centre for Geriatric Care em Toronto sugerem que existe uma grande variedade de problemas atencionais, e que a partir da determinação da parte e função específica na região frontal que está comprometida, os profissionais poderão oferecer tratamento e reabilitação de maneira mais focalizada.

"O que nós tentamos fazer foi adicionar alguns poucos tijolos ao estudo da arquitetura cognitiva da atenção, apontando as múltiplas funções atencionais das diferentes regiões do lobo frontal" explica Dr. Stuss. "Existem ainda outras regiões cerebrais, incluindo também porções do lobo frontal que não foram estudadas pelo nosso grupo, e que participam nestes processos atencionais de formas diferentes."

Esta notícia foi traduzida e adaptada pela Plenamente da revista: Monitor on Psychology. Vol 33 nº 11 - Dec 2002: 17.

2003-02-10 00:00:00

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