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Sucesso de intervenções cognitivas sugerem possibilidade de reverter declínio relacionado à idade

Intervenções de treino cognitivo em indivíduos idosos produziram mudanças significativas na memória, habilidade de solução de problemas e velocidade de processamento. Esta melhora cognitiva mostrou-se durável durante pelo menos 2 anos, de acordo com um relatório apresentado na edição de Novembro do Journal of the American Medical Association (JAMA). De acordo com a ACTIVE (Advanced Cognitive Training for Independent and Vital Elderly), que estuda um grupo de indivíduos idosos, a magnitude do efeito de treinamento sugere que estas intervenções "têm o potencial para reverter o declínio cognitivo relacionado à idade".

"Este é um dos maiores e melhores estudos controlados já realizados em intervenções cognitivas para pessoas saudáveis na terceira idade. Este trabalho vem reunindo conhecimentos das áreas de psicologia cognitiva e neurociências", diz o Dr. Richard M. Suzman, do National Institute on Aging.

Participaram do estudo 2802 indivíduos saudáveis entre 65 e 94 anos, que moravam de forma independente. No momento de admissão no estudo, os escores do Mini Exame do Estado Mental (Mini Mental State Examination - MMSE) foram maiores que 22. As intervenções consistiam em 10 sessões grupais, cada uma com 60 a 75 minutos, durante o período de 5 a 6 semanas. Dra. Karlene Ball e seus colegas da Universidade do Alabama, do estudo ACTIVE, avaliaram os resultados destas intervenções.

As sessões tinham o objetivo de trabalhar a memória episódica, a habilidade para solução de problemas e a velocidade de processamento. As estratégias foram introduzidas durante as primeiras 5 sessões e exercícios oferecidos durante as 10 sessões. Para a comparação de resultados foi utilizado um grupo controle com 704 indivíduos.

Melhora confiável (definida como melhora da performance a partir da linha de base de pelo menos um desvio padrão da média) foi documentada no pós teste em 26% do grupo de treinamento de memória, 74% do grupo de treinamento para solução de problemas e 87% do grupo de treinamento para velocidade de processamento (p<0,001). Este nível de significância estatística foi mantido depois de 1 e 2 anos de seguimento.

"Nós ficamos muito estimulados com os resultados do treinamento do grupo de memória" disse Dra. Ball numa entrevista para Reuters Health. Os resultados anteriores da literatura ainda não tinham mostrado a permanência dos ganhos ao longo do tempo, salientado a grande significância clínica dos nossos achados".

60% dos participantes continuaram com treinamento complementar durante 11 meses, divididos em 4 sessões. Estes obtiveram melhora significativa em velocidade e solução de problemas. No final do segundo ano do estudo, 57% destes que receberam treinamento adicional ainda mantinham melhora no desempenho em relação a medida inicial, enquanto para o grupo que não recebeu treinamento complementar, a melhora ocorreu em 35% dos indivíduos.

"Os médicos devem estar cientes que existem maneiras de manter e melhorar a performance cognitiva, o que ainda não tinha sido demonstrado efetivamente no passado", Dra. Ball complementa: "A tendência era pensar que com a idade, as pessoas tem pior desempenho da memória e menor tempo de reação. Agora é possível saber que existem meios de prevenção".

Dra. Ball salienta que os estudos continuam a ser desenvolvidos para que estes tipos de programas possam ser realizados até na própria residência dos indivíduos.

A melhora que foi observada neste estudo parece não ter afetado as habilidades cognitivas do dia a dia. De alguma maneira, pode-se pensar que isto se deva ao fato dos participantes do estudo serem saudáveis e já apresentarem elevado nível de funcionamento cognitivo. Seria interessante pensar em alternativas para a generalização do protocolo de treinamento, de maneira a melhorar o desempenho nos problemas do dia a dia dos indivíduos idosos.

Dra. Ball apontou que é necessário acompanhar os pacientes por mais tempo com objetivo de verificar a diferença na vida diária dos sujeitos. "Estamos planejando acompanhar novamente estes sujeitos depois de 5 anos, para verificarmos se os controles tiveram declínio maior que o grupo que recebeu as intervenções cognitivas".

Referência: JAMA 2002; 288:2271-2281

Esta notícia foi traduzida pela Plenamente do site www.medscape.com.

2002-12-09 00:00:00

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