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O que é reabilitação cognitiva? Selma Boer, Maria Alice Fontes

Nos últimos tempos, o meio científico tem sido contemplado com diversas pesquisas mostrando a capacidade que o cérebro possui em se reabilitar, ou seja  uma determinada área do cérebro é capaz de assumir as funções de outras quando sofrem lesões.

 

O que é reabilitação?

 

Reabilitar é promover ao paciente sua recuperação ao nível máximo possível de adaptação física, psicológica e social, com o objetivo de reduzir o impacto de uma incapacidade ou deficiência, e dessa forma proporcionar uma maior integração social do indivíduo.

 

Quais diagnósticos podem se beneficiar com a reabilitação?

 

Um programa de reabilitação bem delineado pode reduzir os déficits causados por quadros neurológicos como doença de Alzheimer, AVC (Acidente Vascular Cerebral), encefalites, doença de Parkinson, traumatismos cranioencefálicos, dentre outros. Além destes, os quadros neuropsiquiátricos como Déficit de Atenção (TDAH), depressão e compulsões também podem ter benefícios com a reabilitação através de intervenções que lhes ofereçam capacidade de autonomia e independência funcional, no maior nível possível. Isso porque, embora a palavra “reabilitar” signifique “tornar apto novamente”, muitas vezes não é possível o retorno ao padrão de funcionamento e de comportamento anterior à doença. Em outros casos, o objetivo do programa de reabilitação é retardar o avanço de uma doença, como no caso da Doença de Alzheimer, que é um quadro neurodegenerativo progressivo.

 

Como é feito o processo de reabilitação cognitiva?

 

É recomendável que o processo de reabilitação cognitiva seja conduzido por uma equipe multiprofissional, uma vez que os pacientes acometidos de doenças neurológicas e neuropsiquiátricas apresentam, na maior parte dos casos, múltiplas sequelas. Além disso, é fundamental que seja feito um trabalho psicoeducativo com os familiares para orientá-los sobre o quadro clínico e prognóstico. Nesse caso, o trabalho do psicólogo é muito importante, no sentido de auxiliar tanto o paciente como seus familiares, na elaboração de perdas e do luto – pois a realidade a partir desse momento, poderá ser bem diferente da anterior – e a partir disso, a estabelecer expectativas realistas.

 

Independente da seqüela e do profissional que irá trabalhar com o paciente, o processo de reabilitação utiliza recursos próprios de cada área do conhecimento para estimular os processos mentais e cognitivos. Por exemplo, o fonoaudiólogo utiliza métodos da fonoterapia para promover a melhora da linguagem; o neuropsicólogo busca técnicas para auxiliar o paciente a aumentar o tempo de seu foco atencional; o psicólogo clínico, através das técnicas de psicoterapia, auxilia um paciente deprimido a ter uma visão mais realista de seus potenciais e dificuldades, e assim promover a melhora de sua auto-estima e consequentemente, da sintomatologia depressiva.

 

De que forma as técnicas de reabilitação podem alcançar a melhora do paciente?

 

Todos os recursos objetivam desenvolver e aprimorar a capacidade de cognição e raciocínio do paciente, através de atividades que estimulem sua motivação para a resolução de problemas. O profissional de reabilitação deve oferecer recursos de dificuldade gradual, promovendo desafios que sejam estimulantes para o paciente, fazendo sentido para suas necessidades e compatível a sua realidade. Esses recursos utilizados na reabilitação irão provocar a plasticidade neural.

 

O que é a plasticidade neuronal?


A plasticidade neuronal envolve a capacidade das células cerebrais (neurônios) de estabelecer novas conexões sinápticas. Como isso desenvolvem alterações estruturais a partir da experiência, como adaptação a mudanças ambientais. Assim, uma determinada área do cérebro é capaz de assumir as funções de outras quando essas sofrem lesões. Isso corrobora o conceito de Modificabilidade Cognitiva, que sustenta que a cognição do ser humano não é fixa – os processos mentais, afetivos e intelectuais são modificáveis. Não importa a gravidade do quadro clínico, sempre há o que ser feito para o paciente em termos de reabilitação cognitiva; os ganhos advindos do trabalho de reabilitação são totalmente relacionados com os estímulos oferecidos pelo ambiente e da motivação do paciente em engajar-se no processo reabilitador.

 

 

Referências bibliográficas

Wilson, B. Reabilitação da memória. Editora Artmed, 2010.

http://www.ampei.org.br/pei.htm

http://www.cerebromente.org.br/n05/tecnologia/plasticidade.htm

 

 

2011-05-13 00:00:00

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