Página Inicial

Transtorno do Déficit de Atenção pode atingir mais garotas do que se acredita

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um diagnóstico usualmente utilizado para identificar garotos inquietos, um pouco agressivos, que têm dificuldades para sentar em uma classe ou seguir ordens. Entretanto, o TDAH pode ocorrer mais frequentemente em meninas do que se acredita. Meninas com o transtorno têm a propensão a desenvolver profundos problemas acadêmicos e sociais. Se comparadas aos meninos, elas não têm necessariamente uma manifestação semelhante do TDAH, diz o psicólogo e professor da UC Berkeley Stephen Hinshaw, autor do estudo publicado no Journal of Consulting and Clinical Psychology. “Elas têm déficits significativos, mas podem sofrer em silêncio”.

Neste estudo, que foi um dos maiores e mais longos sobre pré-adolescentes com TDAH, foram incluídas 228 meninas, com idade entre 6 e 12 anos, recrutadas para participar de um acampamento de férias de verão por 3 anos consecutivos. Diferentemente de estudos anteriores, avaliou meninas que não estavam utilizando medicamento.
Os resultados mostraram que garotas com TDAH tinham problema em manter a atenção focalizada e eram mais propensas a provocar colegas de grupo, agindo mais agressivamente do que outras garotas. Muitas delas eram socialmente isoladas e achavam difícil fazer amigos em relação aos meninos.
O TDAH é provavelmente a desordem psiquiátrica de infância mais estudada atualmente, mas a vasta maioria das pesquisas têm estudado apenas meninos, que são mais propensos a tê-lo na proporção de 3 para 1. Enquanto os “meninos elétricos” usualmente demandam mais atenção, garotas têm o que é chamado de um “tipo não atento”, caracterizado por desorganização e comportamento sem foco, mais do que explosões impulsivas. Isso faz com que seja mais difícil a sua identificação em sala de aula.

Garotas com TDAH são mais propensas a apresentar problemas com tarefas que envolvam organização, planejamento e definição de objetivos, o que conduz a problemas com trabalhos escolares e interações sociais, disse Hinshaw. Geralmente as meninas acabam consultando vários especialistas antes que qualquer um descubra porque não conseguem se concentrar na escola, deixando de fazer as tarefas e se apresentando de maneira irresponsável e desorganizada. Muitas vezes, “Ao invés de descobrir que algo está neurologicamente errado, os professores atribuem a inquietação e desatenção ao seu comportamento”.

Patrícia Quinn, pediatra co-fundadora do grupo National Center for Gender Issue and ADHD que se especializou no tratamento de meninas e mulheres com TDAH, disse que o estudo confirma o que médicos têm achado clinicamente – que meninas com o transtorno são ignoradas. “As pessoas pensam que se você está sentada quieta, você possivelmente não tem isso. Garotas tentam compensar. Elas sentam e olham para o professor. Elas tentam agradar e o fazem bem.”- diz Quinn

Como conseqüência, as meninas tendem a ser diagnosticadas de 2 a 4 anos mais tarde do que os meninos. Estudos mostram que mulheres com TDAH desenvolvem uma sensação de desamparo e problemas de auto-estima e muitas são diagnosticadas como portadoras de depressão.

Professores, médicos e psicólogos precisam maior preparo para identificar meninas com esse transtorno. Freqüentemente eles não conhecem os sinais – meninas são muito falantes e emocionalmente hiper reativas sem serem rudes e agressivas. Os leigos reconhecem menos ainda, segundo Quinn. Em um estudo recente, 97% disseram que conheciam um homem/menino com TDAH. Somente a metade conhecia uma mulher que tivesse o transtorno e 50% disseram que nem sabiam que o TDAH poderia ocorrer no sexo feminino.

Hinshaw que conduziu o estudo com outros quatro pesquisadores da Kaiser Permanente Medical G Minnesota Department of Mental Health e UC Berkeley, disse que tanto meninos como meninas com TDAH respondem bem ao tratamento. Sem o mesmo, eles têm um risco maior de abandonar a escola, de problemas com abuso de substâncias e apresentar comportamento delinqüente, ele disse. Pesquisadores continuarão a estudar as meninas para ver o que acontece quando elas amadurecem, visto que o TDAH nas meninas pode causar grandes danos e até predizer problemas na vida adulta.

Esta notícia foi traduzida e adaptada pela Plenamente do site www.apa.com

2002-11-08 00:00:00

Profissionais relacionados

  • Não existe(m) profissionais relacionados!

Assine nosso Informativo

Cadastre-se gratuitamente e receba nossos Boletins:
CRP/SP: 3605/J
R. João da Cruz Melão 443, Morumbi, SP (mapa)
© 2017. Clínica Plenamente.
O conteúdo deste site é protegido pela Lei de direitos autorais (Lei nº 9.610/1998), sendo vedada a sua reprodução, total ou parcial, a partir desta obra, por qualquer meio ou processo eletrônico, digital, ou mecânico (sistemas gráficos, microfílmicos, fotográficos, reprográficos, de fotocópia, fonográficos e de gravação, videográficos) sem citação da fonte e a sua reprodução com finalidades comerciais.