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As mentiras que as crianças contam. Silvia Pellegrini Ruschel, Maria Alice Fontes

Quem convive com crianças sabe quão frequentes são as situações nas quais elas mentem, ou deixam de contar um fato importante, utilizando o argumento: “Eu não menti, apenas não falei a verdade sobre o que aconteceu.” Obviamente existem muitos motivos que podem levar as crianças a mentir ou distorcer fatos ocorridos, entretanto, é preciso saber porque isso ocorre e em que fase da infância devemos começar a nos preocupar para evitar o desenvolvimento de problemas na vida adulta.

 

Quais motivos podem levar a criança a mentir?

 

Em muitas situações a criança pode contar uma mentira, na maioria das vezes por medo da autoridade (para evitar um castigo por ter feito algo errado), para contar vantagem frente a algum amigo ou proteger sua própria imagem (diz que é o melhor da classe, corre mais rápido, apareceu na televisão, etc) mesmo sabendo que isso não é real, mas precisa se autoafirmar, ou ainda, por imitação de modelos como outros amigos, ou os próprios pais. Nesse último caso, a criança pode mentir por achar natural, comum, uma saída mais fácil para as situações cotidianas.

 

Como o ambiente familiar pode influenciar as crianças a achar que mentiras são comuns?

 

Os pais, obviamente, tentam ensinar bons hábitos aos filhos, educá-los da melhor forma possível, porém, os filhos podem presenciar situações em que a mentira está presente em seu dia a dia. Assim, quando os pais mandam dizer que não estão em casa para não falar ao telefone, dizem que gostam de uma pessoa, mas falam mal pelas costas, ou emitem comentários contraditórios estão dando exemplos de mentiras. A criança pode não entender porque os pais dizem que é errado mentir quando o fazem de forma rotineira. Ou seja, a criança pode aprender a mentir por imitação, afinal a mensagem vivida é que ela é um comportamento aceitável.

 

Com quantos anos as crianças começam a mentir?

 

Algumas crianças começam a mentir logo no início da infância, aos 3 anos, porém, entre 3 e 7 anos, há uma fase no desenvolvimento infantil marcada pela fantasia. Até os 3 anos de idade a criança não distingue entre o real e o fantástico. Não consegue separar o faz-de-conta da realidade. É na infância que o senso ético vai se formando, amadurecendo e a internalização do certo e do errado se estabelece através de processos internos. Será por volta dos 7 anos que a criança terá estes dois conceitos melhor definidos. Portanto, ela poderá, às vezes, não falar a verdade e isto será normal. Quando, no entanto, a mentira se torna uma constante na vida da criança, é preciso investigar. Em caso de dúvida, tente investigar o tema, pois mentiras frequentes sobre um mesmo tema, como por exemplo, os amigos, a escola, ou mesmo seus cuidadores (babás, empregadas) podem indicar sinais de angústia ou problemas mal resolvidos.

 

Como lidar se estamos em dúvida quanto à veracidade de uma situação contada pelas crianças, ou mesmo quando sabemos que não falaram a verdade?

 

Segundo Ceres de Araújo, autora do livro “Pais que educam”, um dos maiores problemas é exatamente a pergunta feita pelos adultos que pode levar a criança a mentir tentando escapar de alguma repreensão. Portanto, se sabemos que o filho bateu no cachorrinho, que não fez a lição, desobedeceu ou descumpriu combinados, seria mais útil partir para conversar sobre o ato inadequado em si. No caso de dúvida sobre a veracidade de algum relato:

  • não insista imediatamente no assunto, a história contada horas, ou dias depois pode revelar versões a serem comparadas pelo adulto;
  • ao invés de chamar a criança de mentirosa explique as consequências negativas de uma mentira com exemplos práticos e deixe claro porque é errado mentir e/ou prejudicar alguém;
  • não grite, pressione ou submeta a criança a interrogatórios ostensivos e extensos;
  • para começar a conversar utilize perguntas genéricas, mais abertas, ao invés de perguntas as quais a criança só pode responder com “sim” ou “não”. Ou seja, prefira “O que aconteceu na escola?” ao invés de “Alguém te bateu na escola?”

 

Quais são as razões para se continuar mentindo na vida adulta?

 Uma das razões interiores mais comuns para se continuar a mentir na vida adulta é a insegurança ou baixa autoestima. Como dissemos, a mentira passa ao outro uma imagem de nós próprios muito melhor do que de fato acreditamos ser desde a infância. Os adultos mentem também por razões externas, de acordo com as  pressões para sucesso na vida em sociedade. Mentirosos contumazes, de dinâmica psíquica rica em conflitos complexos, podem representar personagens tal como fazem os atores, e refletem aquilo que gostariam de ser. Ao perderem o controle sobre o impulso de mentir  a personalidade toda é tomada por um falso e inaltêntico ego, caracterizando distúrbios de personalidade.


 

Quando a mentira pode se tornar motivo de preocupação para o desenvolvimento infantil?

 Os psicólogos alertam para a necessidade de que os educadores (pais e professores) combatam as mentiras deliberadas e arquitetadas pela criança para se livrar de alguma responsabilidade ou levar algum tipo de vantagem. Devem se preocupar ao perceber que as mentiras são freqüentes, recorrentes sobre um mesmo tema, ou ainda quando houver nitidamente um objetivo de fuga da realidade, evitando enfrentar determinadas situações. Por volta dos 7 anos as crianças diminuem bastante o uso da simbolização trocando boa parte da fantasia por uma linguagem mais elaborada e compreensão desenvolvida. Portanto, o emprego freqüente de mentiras ou histórias “fantasiosas” pode indicar problemas a serem investigados com ajuda profissional.

 

Bibliografia

 

 

- Araujo, Ceres Alves. Pais que educam: uma aventura inesquecível. Ed Gente, 2005.

 

- http://www.lincx.com.br/lincx/saude_a_z/saude_crianca/mentira.asp

 

- http://academiadepais.blogspot.com/2010/05/sobre-mentira-nas-criancas.html

 

- HTTP://revistacrescer.globo.com

 

- http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=246

 

 

2010-08-14 00:00:00

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